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Ex-diretor da Petrobras diz não ter enganado Dilma sobre Pasadena

Reuters
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O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, peça chave na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, disse ontem em depoimento na Câmara dos Deputados que não considera ter enganado a presidente Dilma Rousseff, em 2006, sobre o negócio.

Dilma, que comandava o Conselho da Administração da estatal quando a aquisição foi aprovada, afirmou recentemente que, se tivesse conhecimento de todas as informações sobre o contrato de compra da refinaria, não teria aprovado o negócio.

Cerveró disse que a Diretoria Executiva da Petrobras, na época presidida por José Sergio Gabrielli, recebeu todas as informações sobre a negociação da refinaria, mesmo que determinadas cláusulas não constassem no resumo executivo submetido ao Conselho de Administração. “A diretoria, quando aprova a documentação, ela depois é encaminhada ao Conselho pela diretoria, não sou eu”, disse o ex-diretor, em longa audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle, de Finanças e Tributação, e de Desenvolvimento Econômico da Câmara.

A atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse em depoimento no Senado, na véspera, que o Conselho da estatal aprovou inicialmente a compra de 50% da refinaria baseado em resumo executivo e avaliação da diretoria executiva, sem saber que havia uma cláusula de opção de venda, que obrigava a estatal a adquirir eventualmente os 50% restantes da parceira belga Astra Oil.


Não era importante

Cerveró minimizou a importância para o negócio das cláusulas que Dilma disse não ter visto. “Na avaliação que nós fizemos, essas cláusulas não têm representatividade no negócio... Não era importante do ponto de vista negocial, do ponto de vista da valorização do negócio, nenhuma cláusula nem outra”, disse ele, referindo-se à opção de venda e à chamada cláusula Marlim, que garantia à Astra uma remuneração adicional dependendo do petróleo refinado.

“Não houve nenhuma intenção de enganar ninguém...  Foi tudo baseado numa série de consultorias e trabalhos”, afirmou.

 

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