Política

Cubanos ?cobrem? saída de médicos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Mais sete cubanos que atuarão na Secretaria Municipal de Saúde serão apresentados nesta quinta-feira. Com eles, serão 12 os intercambistas que chegaram a Bauru por meio do programa “Mais Médicos”. O número é o mesmo ao de profissionais que pediram exoneração da prefeitura desde o mês de novembro, quando foi implantado o sistema eletrônico de controle de jornada.

Até então, apenas os médicos da rede de urgência e emergência “batiam ponto”. Os da rede básica – onde os estrangeiros vão trabalhar – não cumpriam as quatro horas diárias de trabalho pelas quais eram ou ainda são contratados. O fato foi revelado, com exclusividade, pelo Jornal da Cidade no ano passado e o caso é investigado pelo Ministério Público.

Com a imposição do controle eletrônico pelo governo municipal, à época, um grupo de profissionais cogitou o pedido de demissão em massa. A ameaça não foi concretizada, mas as 12 baixas foram sentidas.

Secretário municipal de Saúde, Fernando Monti reitera que as exonerações e a chegada dos médicos cubanos são fenômenos independentes. “Uma coisa não é para compensar a outra. Não consideramos que os intercambistas estejam substituindo os profissionais que saíram. Aliás, nós lamentamos muito quando qualquer um deixa a secretaria”.

O dirigente da pasta de saúde explica que o programa “Mais Médicos” tem como propósito expandir os serviços de atenção básica e, segundo ele, de fato isso já tem acontecido.

Apesar do número de cubanos ser igual ao de médicos exonerados, os primeiros cumprirão jornadas de 40 horas semanais. Por outro lado, os profissionais que deixaram a rede trabalhavam – teoricamente – por 20 horas semanais.

Portanto, o impacto da chegada de 12 estrangeiros pelo “Mais Médicos” é equivalente à contratação de novos 24 profissionais pela secretaria.

Além dos estrangeiros, o programa federal destinou a Bauru mais nove médicos brasileiros, recém-formados. Eles recebem bolsas de R$ 10 mil mensais e acumularão pontos para suas residências.


Treinamento

O novo grupo de médicos cubanos é composto por quatro mulheres e três homens – o primeiro tinha três profissionais do sexo feminino e dois do masculino. A apresentação está marcada para as 8h30 de hoje, no auditório do Departamento de Saúde de Coletiva.

Da mesma forma como ocorreu quando da chegada dos primeiros 14 médicos – nove brasileiros e cinco estrangeiros -, os recém-chegados também serão recepcionados pelo Programa de Integração, desenvolvido pela Secretaria de Saúde.

Além de treinamentos, serão propostas atividades que incluem o reconhecimento da cidade, ambientação, entre outros.

Os profissionais do “Mais Médicos” que chegaram em março estão atuando nas Unidades Básicas de Saúde do Jardim Redentor, Nova Esperança, Beija-Flor, Mary Dota, Octávio Rasi, Vila Dutra, Jardim Godoy e Jardim Bela Vista.


E o salário?

Os médicos cubanos terão seus salários pagos pela União. Para cada profissional intercambista, o governo brasileiro envia mensalmente a Cuba, via Organização Pan Americana de Saúde (Opan), cerca de R$ 10.400,00.

O governo cubano repassa, então, parte deste valor como salário para os médicos. Para bancar os custos de vida no Brasil, os médicos recebem US$ 600,00, equivalentes a, aproximadamente, R$ 1.416,00.

Outros US$ 645,00 dólares são depositados em poupanças às quais os profissionais terão acesso somente ao fim de seus contratos com o ‘Mais Médicos’, cujas vigências são de três anos. O País já recebeu mais de 11 mil estrangeiros.

À Prefeitura de Bauru, caberá a contrapartida individual de R$ 1.500,00, para ajuda de custos com moradia e alimentação.

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