Os EUA advertiram a Rússia ontem que o país enfrentará sanções mais duras se não cumprir um novo acordo internacional ou enviar forças russas para o leste da Ucrânia.
“Esses custos e sanções poderiam incluir setores muito importantes da economia russa”, disse a conselheira de segurança nacional do presidente norte-americano Barack Obama, Susan Rice, a jornalistas.
Ela disse que Washington observa com muita atenção se a Rússia vai cumprir com suas obrigações ao usar sua influência para conseguir o desarmamento de separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia e o abandono de prédios públicos ocupados.
Separatistas disseram ontem que não estavam vinculados ao acordo entre EUA, Rússia, Ucrânia e União Europeia, em Genebra, na quinta-feira.
Já a Rússia expressou descontentamento com a avaliação dos EUA sobre um acordo internacional fechado para acabar com a crise na Ucrânia, dizendo que a ameaça de novas sanções contra Moscou por Washington é “completamente inaceitável”.
O Ministério de Relações Exteriores acusou os EUA de tentar encobrir o uso da força por parte do governo ucraniano contra manifestantes nas províncias do leste do país que falam em sua maioria o russo.
Acordo assinado na quinta-feira determinava, entre outras coisas, o desarmamento de grupos armados ilegais e o fim de ocupações em prédios públicos no leste da Ucrânia. Separatistas pró-Rússia rejeitaram o acordo.
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a reunião em Genebra entre Rússia, Ucrânia e potências ocidentais era promissora, mas que Washington e seus aliados estavam preparados para impor mais sanções à Rússia se a situação não melhorar.
A Rússia descreveu a posição de Washington como unilateral e disse estar “desapontada” com os comentários feitos após as negociações. O acordo é considerado o melhor sinal de esperança para resolver o pior confronto desde a Guerra Fria.
Direitos da língua russa
O presidente e o primeiro-ministro interinos da Ucrânia ofereceram ontem algumas de suas promessas mais enfáticas de que irão reforçar os direitos constitucionais de uso da língua russa em um esforço para apaziguar os protestos separatistas.
“O governo ucraniano está preparado para conduzir uma reforma constitucional abrangente que reforçará os poderes das regiões”, disse Yatseniuk. Isso incluiria dar poderes executivos às autoridades locais eleitas, em vez dos atuais ocupantes de cargos indicados pelo governo central, declarou.
“Iremos reforçar o status especial da língua russa e proteger essa língua”, afirmou o premiê.
Atualmente, milhões de ucranianos, incluindo muitos que não se consideram etnicamente russos, têm o russo como idioma principal e o direito de usá-lo para certos propósitos oficiais nas regiões onde os falantes de russo são maioria.
A Constituição já contém algumas proteções ao russo e outras línguas, mas nomeia o ucraniano, um idioma que provém de um ramo de línguas eslavas, como única língua oficial do Estado.