O problema das recorrentes filas de pacientes no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e falta de lugar para acomodá-los durante o tempo em que esperam para ser atendidos já incomoda tanto, que a ideia é remediar com a instalação de um “puxadinho” no local. Enquanto a reforma do Pronto-Socorro Central (PSC) não sai do papel, a direção da unidade hospitalar solicitou à Secretaria de Saúde a instalação de um toldo e mais cadeiras para acomodar as famílias que aguardam por atendimento. No entanto, a proposta está em fase de cotação de preços e, para que seja implantada, depende da aprovação do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.
“Ainda estamos cotando preços para ter a viabilidade de colocar o toldo e, assim, aumentar a área física da sala de espera dos pacientes. Hoje, não cabem mais do que 20 pessoas sentadas. É uma sala muito pequena”, observa o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag.
Conforme o JC vem abordando em diversas matérias, as salas de espera do PAI têm ficado lotadas e pacientes demoram horas para conseguir atendimento. Na quarta-feira à tarde, a reportagem voltou à unidade e confirmou o drama dos pais. Com a filha de 2 anos no colo, a fisioterapeuta Juliana Patrícia de Souza Andrade, moradora do Jardim Prudência, esperou três horas para ser chamada. “Hoje ainda está tranquilo. Já cheguei a ficar oito horas na fila”, reclama.
Ela disse que já encontrou a sala de espera do PAI tão cheia, que pais e crianças tiveram que arrumar formas alternativas para se acomodarem. “As famílias ficaram espalhadas pelo estacionamento. Muitos, encostados em carro por conta do cansaço”, relatou.
Com o “puxadinho”, seria possível dobrar a quantidade de assentos no local e, talvez, amenizar o desconforto enfrentado pelos familiares. “O toldo será instalado no espaço que liga a sala de espera à sala de pré-consulta. São, aproximadamente, 20 a 25 metros quadrados. Neste espaço, devem ser colocadas mais oito ou 10 longarinas de quatro lugares, ou seja, 40 pacientes a mais que serão acomodados enquanto esperam atendimento”, frisa Sabbag.
Em nota, a assessoria da prefeitura informou que somente após o orçamento pode dizer se o toldo será ou não instalado. Questionado sobre o assunto, Fernando Monti reconheceu que a área de espera do PAI é mal estruturada e garantiu estudar a possibilidade de instalação do toldo.
“Se não for algo com custo muito alto, tendo em vista a reforma que será feita na unidade, iremos apreciar o projeto. Pretendo dar uma atenção especial ao problema”, afirmou.
Reforma
Enquanto a direção do PSC pensa em uma solução rápida de como acomodar pais e crianças que passam horas à espera de atendimento, os vereadores ainda discutem o projeto de reforma da unidade. No início do mês, eles receberam da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) o projeto arquitetônico de reforma e ampliação, mas decidiram avaliar sugestões de melhorias.
“No projeto inicial, constava uma única entrada de veículos tanto para o atendimento infantil quanto para o adulto (PAI e PSC), mas os vereadores querem entradas separadas. Porém, até agora, não recebemos nada formal sobre a decisão final do poder público”, afirmou o diretor do Departamento de Planejamento Urbano, Wladimir Riehl.
Riehl disse ainda que uma nova reunião será marcada em breve. “A gente está esperando a Câmara Municipal se posicionar. Vamos definir uma data para uma reunião entre a Seplan, a Secretaria de Saúde e os vereadores e resolver os detalhes finais do projeto”.
Lotado
“Estava lotado quando cheguei”, disse o porteiro Esequiel Paz de Moura, 46 anos, que aguardava na sala de espera do PAI. Ele acompanhava as duas netas, Luana Vitória Cezário da Silva, 10 anos, e Ana Júlia Cezário da Silva, 7 anos. “Elas estão com dor no peito”, lamentou.
Moura já esteve outras vezes no hospital e também ressalta para a demora e superlotação. “Agora está tranquilo, mas, geralmente, tem mais gente para ser atendida. Na hora em que peguei a senha todas as cadeiras estavam ocupadas”, lembra.
Folha vai pagar reforma do PSC
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que irá utilizar parte do dinheiro da licitação dos direitos dos bancos fazerem a operação financeira dos pagamentos dos servidores municipais na reforma do PSC. Ele calcula arrecadar cerca de R$ 10 milhões. Parte do dinheiro também será destinada à reforma da Estação Ferroviária.
“Já conseguimos parte do recurso para reforma do PSC através de emendas de deputados e da devolução das sobras do Orçamento de 2013 da Câmara Municipal. Temos em caixa, aproximadamente, R$ 1,5 milhão. O que faltar, será suprido com os recursos da licitação das folhas de pagamento. Parte do dinheiro vai para a reforma da Estação Ferroviária.”, explica o prefeito.
As cotações já estão sendo feitas pela prefeitura junto às instituições financeiras. A licitação, segundo o prefeito, deve ocorrer já no mês de maio e o pagamento costuma ser à vista. Neste ano, bancos privados poderão participar, porém, a instituição até pode ficar com a guarda da prefeitura, mas somente administrar as folhas de pagamento, atualmente controlada pala Caixa Econômica Federal. A Prefeitura de Bauru tem cerca de seis mil funcionários, fora as autarquias. Sobre o “puxadinho” no PSC, Agostinho afirmou não ter conhecimento do projeto paralelo. “O toldo já está incluso na planta de reforma do hospital”, disse.