Articulistas

Deixa girar

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

E não é que hoje é o Dia do Disco? O próprio. O bolachão chegou a ser dado como morto, mas o mwundo gira... Acho simpática a ideia das datas: é um dia que recebe um homenageado para alçá-lo à luz da atualidade. Algumas são bem esdrúxulas ou têm motivações duvidosas. Sobre o bom e rodado discão, merece a data, vai.

Fui buscar auxílio virtual para entender. E eis que um blog informa: o tal dia surgiu em 1978, no Rio, como homenagem ao sambista Ataulfo Alves, que morrera duas décadas antes. Uma data puxa a outra e, assim, o repertório não se esgota.

Tive uma Sonata que só tocava o disco na rotação certa se ganhasse pesos no braço. Moedas desempenhava a função, mas o som já miúdo ficava abafado. Daí você pergunta: "e eu com isso?" Bem, para quem teve ou tem disco, sabe que o simples manuseio é carregado de significado. E traz recordações bem palpáveis de um ingênuo tempo de descobertas.

Hoje, Sonata remete a sedã coreano, não a "sonante AM/FM". Há quem diga que LPs são como nossos diários, e não está longe disso. Claro que é uma maravilha ter acessos imediatos pela internet (discada?). Mas compreende a magia do disco quem passou meses esperando por um lançamento e foi lá na loja do Centro, numa tarde de sol, garantir o seu exemplar com as parcas economias.

O primeiro disco dos humoristas do Casseta e Planeta (sim, eles gravaram) nunca saiu em CD e recebeu o nome de "Preto com um Buraco no Meio". É uma definição bem crua. Mas podemos ter outras, e bem mais sutis, para os adoráveis discos de vinil. Talvez "vidas em capas", como alguém já escreveu. E são capas e encartes que, na memória que gira, jamais empoeiram.

O autor é editor executivo do Jornal da Cidade

Comentários

Comentários