Polícia

Polícia Civil terá sistema de NY contra criminosos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

No dia de Tiradentes, patrono das polícias do Brasil (leia mais abaixo), a Polícia Civil de Bauru anuncia que o Detecta, sistema inteligente de monitoramento criminal no Estado de São Paulo, irá ganhar o reforço de tecnologia “importada” de Nova Iorque, nos Estados Unidos. A novidade, que deverá aprimorar os trabalhos de prevenção, planejamento, investigação e identificação dos padrões de delitos, ainda não tem prazo para ser implementada na cidade.

 

 

Na semana passada, durante reunião no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior-4 (Deinter-4), Benedito Antonio Valencise, foi apresentado ao novo sistema, viabilizado por meio de parceria entre o governo do Estado, a Microsoft e a polícia de Nova Iorque e orçado em R$ 9,7 milhões.

 

“Primeiro, conforme o secretário (da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira) falou, vai funcionar em São Paulo, na Capital. Posteriormente, vai se estender para o interior”, diz. “Eu tenho certeza que vai funcionar muito bem, com câmeras que o Estado e a prefeitura vão instalar em parceria público-privada”.

 

Nessa etapa do Detecta, serão emitidos alarmes automáticos para ajudar no trabalho policial. Isso permitirá que policiais civis e militares recebam informações de inteligência sem que seja necessário operar o sistema a todo momento.

 

Assim como os modernos buscadores de sites na Internet, o sistema fará indexação de grandes quantidades de informação policial e associações automáticas entre esses dados. “O programa capta dados importantes que serão retransmitidos tanto para as viaturas que trabalham com tablets nas ruas como para quem investiga”, explica Valencise.

 

Ele cita como exemplo um suspeito que está fugindo num carro de determinada cor em que só se sabe parte do número da placa. Nesse caso, o sistema poderá ser configurado para localizar todos os veículos com aquele número parcial, da mesma cor, e apresentar essas localizações em um mapa.

 

Além disso, a viatura mais próxima será alertada dessa ocorrência. Essas localizações podem ser feitas por sensores de leitura de placas ou por câmeras que também têm essa capacidade.

 

Isso também pode ser feito para o caso de um procurado pela polícia. Toda vez em que as características desse procurado forem inseridas em algum dos sistemas das polícias, um alerta será acionado e apresentará o histórico desse procurado.

 

“Além da prevenção, que é o trabalho ostensivo que cabe à Polícia Militar, nós também teremos condições de desenvolver um trabalho preventivo especializado e o trabalho de investigação, o inquérito policial, que é a previsão constitucional da Polícia Civil”, ressalta o diretor do Deinter-4.

 

Segundo o delegado, ainda não dá para dizer quando a nova tecnologia começará a funcionar em Bauru. “Eu tenho certeza que vai ser logo”, afirma. “Isso vem para aprimorar e qualificar programas que nós já temos e projetos que nós já temos. Em matéria de inteligência, nós estamos bastante avançados, temos muitos dados, muitos trabalhos feitos”.

 

Investigações

 

Com a nova etapa do Detecta, as investigações ganharão agilidade no acesso e cruzamento de informações. Será possível, por exemplo, fazer buscas de um determinado nome e localizar em um mapa todas as ocorrências relacionadas a ele, seja na Polícia Militar, na Polícia Civil ou no Detran.

 

Outra possibilidade é que seja emitido um alerta sempre que for registrado um crime com as mesmas características de outro que já está sendo investigado, mesmo que seja em regiões ou cidades diferentes.

 

A ferramenta contribuirá ainda com o planejamento das ações policiais, pois permitirá identificar padrões de crimes praticados em cada região a partir dos registros realizados.

 

Integração

 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), essas são informações que já existem e estão à disposição, mas que o sistema inteligente de monitoramento apresentará de forma automática e rápida para diminuir o tempo de resposta das polícias.

 

O sistema estará presente em telões no Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), Cepol (Centro de Comunicações e Operações da Polícia Civil) e Ciisp (Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública do Estado de São Paulo). Além disso, ele poderá ser utilizado em computadores, notebooks, tablets e smartphones.

 

A ferramenta integrará informações criminais, além chamadas para 190 (PM) e 193 (Bombeiros), boletins de ocorrência, Infocrim, Ragisp (Relatório Analítico Gerencial de Inteligência de Segurança Pública), Copom Online – utilizado pela PM para localizar ocorrências -, sistemas de videomonitoramento, mandados de prisão, leitores automáticos de placas, lista de veículos roubados e furtados e cadastros de carteiras de identidade e de motorista.

 

Quem foi Tiradentes

 

Joaquim José da Silva Xavier foi líder da Inconfidência Mineira, primeiro movimento de tentativa de libertação colonial do Brasil. Além de militar no posto de Alferes, foi tropeiro, minerador, comerciante e dentista, o que lhe rendeu o apelido de Tiradentes. Embora não tenha sido o idealizador do movimento, teve um papel importante na propagação das ideias revolucionárias junto ao povo. Foi traído pelo Coronel Joaquim Silvério dos Reis, preso no Rio de Janeiro e condenado à morte por enforcamento no dia 21 de abril de 1792. Seu corpo foi esquartejado e exposto pelas ruas de Minas Gerais. 

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