Os guias nepaleses de etnia sherpa anunciaram nesta terça-feira (22) que decidiram abandonar o acampamento base do Monte Everest e iniciar uma greve devido à avalanche que matou 16 pessoas na última sexta-feira.
"Nós tivemos uma longa reunião esta tarde e decidimos não escalar mais este ano em homenagem aos nossos irmãos. A decisão dos sherpas é unânime", disse Tulsi Gurung.
Outro sherpa e um alpinista americano presente no acampamento base confirmaram a informação, quatro dias depois da morte de 13 guias em uma avalanche.
"Alguns guias já foram embora e outros ficarão aqui durante aproximadamente uma semana, o tempo de empacotar tudo e partir", disse Gurung, que perdeu um irmão na tragédia.
Treze sherpas morreram na sexta-feira em uma avalanche e os corpos de outros três permanecem sepultados sob a neve. Esta foi a tragédia com o maior número de mortes na história da maior montanha do planeta.
"Dezesseis pessoas morreram nesta montanha no primeiro dia de subida. Como vamos escalar?", questionou o guia Pasang Sherpa.
Negociações
A decisão parece antecipar o fim das negociações entre os sherpas e o governo do Nepal. "Estamos em um momento de grande confusão, por isso, nada foi definido sobre a temporada", comentou à ANSA o presidente da Associação de Alpinistas Nepaleses, Zimba Zangbu. "A tragédia foi enorme e é compreensível que muitos sherpas não queriam mais escalar", completou.
Os guias ameaçaram acabar com a temporada caso o governo não atendesse suas reivindicações até segunda-feira, em particular o aumento da ajuda financeira para as famílias das vítimas e o aumento da cobertura do seguro. Vários alpinistas ocidentais abandonaram o acampamento base hoje com destino a Katmandu, com o objetivo de tentar ajudar a resolver a crise.
Por sua vez, o governo do Nepal anunciou hoje um pacote de medidas para tentar melhorar as condições dos guias sherpas envolvidos em expedições no Everest, entre elas o aumento da cobertura de seguro de vida e de saúde, indenizações em casos de acidente e a criação de um Fundo de Solidariedade.
Os sherpas ganham entre 3.000 e 6.000 dólares por temporada, mas não têm uma boa cobertura de seguro.
Mais de 300 pessoas, sobretudo sherpas, morreram na montanha desde a primeira escalada ao topo do mundo em 1953.