Tribuna do Leitor

Esquecidos!


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Há tempos venho manifestando o meu desgosto com a maneira como vem sendo tratado o bairro em que moro. Vila Cardia, uma das mais antigas de Bauru e hoje praticamente esquecida pelo poder público. Como se já não bastasse as ruas completamente esburacadas, de um asfalto pelo qual pagamos, agora temos que conviver com carcaças de automóveis jogadas em nossas ruas.

Depois que foi instalada a Central de Polícia Judiciária na quadra 23 da av. Rodrigues Alves, nossa vida virou um inferno. Além das carcaças de automóveis que foram recuperadas e são simplesmente abandonadas nas nossas ruas pelo guincho prestador de serviço para a delegacia, convivemos também com detentos (toda espécie de criminosos) e suas famílias, que acampam em frente de nossas casas, à espera de notícias dos ditos cujos. E, somando-se a isso, todo o lixo que eles puderem deixar na rua, desde fraldas descartáveis sujas, a todo e qualquer tipo de embalagem. Some-se também todo o lixo coletado dentro do prédio da delegacia, que compreende uma quadra fechada, que é colocado na calçada da Rua Rio Grande do Norte, impedindo assim os pedestres de permanecerem nela.

Posso falar também do lixo que a coleta não leva. Um amontoado de entulho, que a população mal educada faz aumentar a cada dia. Nas calçadas em volta, o mato cresce, e não me venham falar que a limpeza é por conta da prefeitura, porque a minha calçada a prefeitura nunca limpou. Registro também que a tampa da caixa de esgoto se encontra danificada, nos deixando à merce de baratas e ratos, sem contar o fedor que exala dali.

Quando uma amiga me tranquilizou sobre a instalação da CPJ, ela não sabia o que estava falando. Uma coisa era ser vizinho de uma delegacia antes. Queria ver a opinião dela se tivesse que conviver com tudo isso junto. Com os gritos no meio da noite, com familiares de detentos gritando ao celular a qualquer hora do dia ou da noite.

Gostaria de saber de quem foi a infeliz ideia de instalar essa CPJ aqui. O correto seria levar isso para o mais longe possível do centro urbano. Ou então para o condomínio em que provavelmente mora o mentor disso tudo. Com toda a indignação e revolta do mundo.

Fátima Cristina Piovisan

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