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Nem tudo que reluz é ouro

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Augusto Branco, poeta nascido no coração da Amazônia, entre outros poemas escreveu este: "Nem tudo que reluz é ouro. Nem sempre o melhor está ao alcance dos olhos. É preciso estar atento e aprender a perceber melhor as pessoas e o mundo à volta porque os diamantes não ficam na superfície e são o que de mais valioso há". Gostaria de refletir um pouco sobre a primeira parte deste poema, a qual virou título deste artigo: "Nem tudo que reluz é ouro".

Utilizamos esta frase no cotidiano na maioria das vezes para alertar as pessoas que há mais coisas além do que o senso comum indica. É como se fosse uma dica para sermos um pouco mais maliciosos, ou ainda sermos mais profundos em nossa análise.

Esta falta de profundidade em alguns assuntos importantes é que incomada. Isso acontece nas mais diversas áreas. No trabalho há um exagero no achismo. Empresários e profissionais sem qualificação adequada estão agindo, atuando e na maioria das vezes, sem embasamento técnico, decidem sobre o futuro da organização. Os resultados alcançados nem sempre os melhores. No ambiente político isso fica mais evidente à medida que valem mais os holofotes do que efetivamente a questão central em discussão. O chamado componente político é potencializado quando se aproximam as eleições, e acaba se sobrepondo ao componente técnico.

Muitos políticos (tanto federais como estaduais e municipais) fazem o que podemos denominar de análise "casquinha", bem superficial, em boa parte pegando carona em leituras rápidas do assunto, e, amparados pela imunidade parlamentar, lançam críticas aos mais variados temas, acusam gestores públicos e até mesmo pessoas da comunidade, e depois que o estrago foi feito se dão conta de que abordaram questões que mereceriam mais dados técnicos, ouvir outras versões, enfim, ter o cuidado necessário para não acusar, julgar e condenar sem que haja possibilidade de defesa. Quando isso acontece o desgaste é enorme.

Considerando que "nem tudo que reluz é ouro" em uma sociedade cada vez mais crítica, com acesso a informação, com meios de comunicação mais dinâmicos e em tempo real, não há mais espaço para aqueles que querem tratar de assuntos densos sem que se preparem para isso. Analisar em profundidade temas relevantes do meio empresarial e da vida pública é o mínimo que se espera.

O autor é economista e articulista do JC

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