Quioshi Goto |
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O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha visitou Bauru ontem |
Em pré-campanha ao governo do Estado, Alexandre Padilha (PT) trouxe a Bauru e região sua caravana Horizonte Paulista. O ex-ministro da Saúde abusou de termos como reestruturação, novos modelos e inovação, que devem dar o tom da pauta eleitoral do PT na disputa contra o pré-candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB).
Com 42 anos, Padilha fez questão de lembrar que, aos 38, já havia sido nomeado ministro das Relações Institucionais do governo Lula. O pré-candidato disse ainda pertencer à mesma geração do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), de 36 anos, a qual atribuiu a missão de “renovar a cara da política”.
O discurso do petista escancarou a estratégia de seu partido em apostar na “novidade”, que funcionou com o lançamento de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, em 2012.
Para os grandes temas - os quais a caravana se propõe a debater - Padilha passou longe de propor alternativas muito diferentes das políticas públicas já praticadas em São Paulo.
Sobre segurança pública, por exemplo, defendeu a continuidade da atividade delegada. O projeto implantado pelos tucanos já foi acusado por setores do PT de “institucionalizar o bico” na Polícia Militar. O pré-candidato, por sua vez, declarou ser favorável a toda ação que reforce a presença de policiais nas ruas.
Padilha também apoia a retirada de 14 mil policiais que atuam em funções administrativas em quarteis, repartições e no sistema 190. A medida foi anunciada pelo comando da instituição, vinculada ao governo do Estado, em setembro do ano passado.
O petista, porém, garantiu que a proposta é de sua autoria, que teria se tornado pública um mês antes do anúncio tucano. “São 14 mil homens e mulheres que poderiam estar fazendo ronda e defendendo o cidadão. Quem aprendeu a usar armas deve estar nas ruas”.
Para tentar, de alguma forma, se contrapor à atual administração, Padilha se valeu da defesa de uma “reestruturação profunda” da Polícia Militar, inclusive a partir da utilização de ferramentas de tecnologias da informação “para se antecipar aos crimes”.
Para assumir as funções administrativas, o petista admitiu a possibilidade de terceirizar serviços – como fará o governo estadual, medida que, até alguns anos atrás, era condenada pelo PT.
Ele pontuou ainda que, no combate às drogas, o Estado não pode se furtar a agir em cooperação com a União, por meio da Polícia Federal.
Abastecimento
Inovação também foi uma das alternativas apontadas por Alexandre Padilha para a solução na crise de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo. O petista citou como exemplo o reaproveitamento de águas pluviais.
Como saída efetiva para o problema - que tem sido o foco das inserções do PT na televisão -, o pré-candidato se limitou a sugerir que sejam executadas as obras listadas pela Sabesp, em 2004, para reduzir a dependência do sistema Cantareira, alvo da crise que provocou o “rodízio de água” na capital do Estado e municípios próximos.
Novos modelos
Na mesma linha, o ex-ministro afirmou que São Paulo precisa expandir as possibilidades de modais de transporte para escoar produção, ao apontar Bauru como ponto estratégico do setor, por estar no Centro do Estado, dispor de malhas ferroviária, rodoviária, aeroporto, além da proximidade da hidrovia Tietê-Paraná.
“De 1994 para cá, nenhuma barragem importante foi construída na hidrovia. Hoje, 6 milhões de toneladas são transportadas, mas esse número poderia ser de R$ 21 toneladas. O transporte por esse modal é 50% mais barato e poderia reduzir os caminhões nas estradas”.
Sobre educação – pasta alvo das principais críticas ao governo do Estado -, Padilha falou em rediscutir o currículo do ensino médio, a fim de reduzir a evasão escolar.
Em Botucatu, Jaú e Barra Bonita, Padilha discutiu demandas de setores específicos das economias locais. Em Pirajuí, recebeu título de Cidadão Pirejuiense.
Saúde?
Durante conversa com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), no Palácio das Cerejeiras, o ex-ministro da Saúde foi alertado sobre problemas, em Bauru, nos serviços de responsabilidade do governo do Estado, como o sucateamento do Hospital de Base e a fila de 50 mil pessoas à espera de exames e procedimentos eletivos.
Alexandre Padilha, no entanto, se furtou a esse debate. Sobre a área pela qual foi responsável durante o governo Dilma Roussef (PT), limitou-se a ressaltar a importância e apresentar resultados do programa “Mais Médicos”, que trouxe 12 profissionais cubanos para a cidade. “Por causa disso, que Bauru terá sua Faculdade de Medicina”.
Denúncia
Ontem à noite, horas após a passagem de Padilha pela cidade, a Agência Estado noticiou uma suspeita da Polícia Federal de envolvimento do ex-ministro com o doleiro Alberto Youssef, alvo de investigação sobre lavagem de dinheiro, preso pela operação Lava Jato.
Prefeito apoia Skaf
Assim que chegou, Alexandre Padilha deixou claro que seu encontro com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) não tinha a pretensão de agaranhar apoio à sua candidatura ao governo. Mas durante reunião com o ex-ministro, vice-prefeita Estela Almagro (PT) e secretários municipais Fernando Monti e Chico Maia, o peemedebista fez questão de enfatizar que trabalhará pela eleição de Paulo Skaf (PMDB).
“Mas eu não tinha como deixar de recebê-lo. Tenho muito carinho pelo Padilha, que é meu amigo e me ajudou muito quando eu entrei na prefeitura. Eu desejo sorte a ele”, justificou-se, criando certo constrangimento no ambiente, por conta da colocação entendida como desnecessária pelos petistas. No mais, o prefeito disse que demandas e responsabilidades precisam ser repactuadas entre municípios e Estado. “Além dos temas indispensáveis em qualquer eleição, precisamos discutir uma agenda de sustentabilidade e meios para dar fim à guerra fiscal”.
PSDB x PT
Alexandre Padilha também se esforçou para polarizar entre PSDB e PT a disputa eleitoral pelo governo estadual. Em referência velada ao deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), o pré-candidato afirmou que, em Bauru, existe um dos “pit bulls” escalados pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para atacá-lo.
“A cada arrogância, a cada raiva destilada do lado de lá, das pessoas escaladas pelo governador, vamos responder com respeito, tranquilidade, serenidade e sorriso. Não tenho medo de cara feia”.
