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Rio: audiência sobre morte de cinegrafista tem protesto de amigos de réus

Folhapress
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Com duas horas de atraso, teve início na tarde desta sexta-feira (25) a audiência de instrução e julgamento de Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza, acusados de envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade. A audiência deverá determinar se eles irão a júri popular ou não.

Fernando Frazão/ABr

Amigos dos reús estavam de preto, em alusão aos "black blocs"

O cinegrafista da Band foi atingido na cabeça por um artefato explosivo que teria sido lançado em conjunto pelos réus no dia 6 de fevereiro, durante um protesto. Ele morreu em consequência do ferimento quatro dias depois, em um hospital da região.

A audiência de instrução acontece na 3ª Vara Criminal de Justiça do Rio, no centro da cidade. Além da imprensa, cerca de 30 amigos dos acusados, alguns com vestimentas totalmente pretas, em alusão aos "black blocs", acompanham os interrogatórios. A família da vítima não compareceu.

Na primeira hora do depoimento, os amigos dos réus interromperam a audiência três vezes com vaias. Houve também um pequeno tumulto quando um jornalista da Mídia Ninja, que transmitia ao vivo a audiência pela internet, foi retirado do local pelos seguranças.

Ele foi conduzido para prestar esclarecimentos no setor de segurança do Tribunal de Justiça, já que além da transmissão ao vivo, que não é permitida, estaria filmando os rostos de outros jornalistas. Após os esclarecimentos, ele pôde continuar a assistir a audiência, sem realizar a transmissão ao vivo.

Na primeira parte da audiência serão interrogadas oito testemunhas de acusação: dois delegados do caso, dois policiais militares, dois jornalistas e dois peritos em explosivos. Já a defesa arrolou nove testemunhas.

A previsão do Tribunal de Justiça é que as oitivas sejam concluídas em três dias. Não foi informado, porém, quando a audiência será retomada após o encerramento desse primeiro dia.

Os réus respondem pelos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado - motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo. Antes do início da audiência, a promotora Isabella Pena de Luca disse que espera levar o caso a júri popular.

"Espero que seja conduzido a júri popular, pois para a Promotoria houve o dolo de matar, já que o cinegrafista Santiago foi surpreendido pelas costas, não foi avisado de que o artefato seria acionado e isso resultou na sua morte. Cada depoimento irá trazer elementos que corroboram a acusação", disse.

    


 

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