A anexação da Crimeia pela Rússia e sua repercussão internacional não terão impacto sobre a cúpula dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), agendada para ocorrer em julho em Fortaleza.
A avaliação é do ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), que recebeu seu homólogo chinês em Brasília, nesta sexta-feira (25). "Não vejo nenhuma relação entre a questão da Crimeia e a reunião dos Brics. São assuntos que não se comunicam entre si e, portanto, o tema não traz nenhuma incidência para a reunião", disse o chanceler brasileiro em coletiva de imprensa.
Brasil e China estão no grupo de 58 países que se abstiveram em votação nas Nações Unidas sobre a anexação da Crimeia.
Figueiredo e o chanceler chinês, Wang Yi, se reuniram ao longo da manhã para tratar de temas bilaterais e sobre a visita do presidente da China ao Brasil. O ministro chinês reforçou o caráter estratégico da relação entre os países e apontou espaço para crescimento dos investimentos.
Há cinco anos a China é o principal parceiro comercial do Brasil -no ano passado, as trocas comerciais alcançaram US$ 83,3 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 8,7 bilhões.
Figueiredo discordou ainda de analistas que apontam um enfraquecimento dos Brics no cenário internacional.
"Essas análises são equivocadas porque na verdade os países do sul apresentam uma dinâmica de crescimento que é muito diferente da dinâmica de crescimento - quando existe o crescimento - dos países do norte", alfinetou. "Portanto, os países do sul seguem sendo, especialmente os países dos Brics, a mola mestra do crescimento mundial nos últimos anos."
FMI
Em coletiva de imprensa, os ministros defenderam o aumento do poder de decisão de países emergentes no FMI (Fundo Monetário Internacional). "Manifestamos o desejo, tanto da China quanto do Brasil, de que o processo de ratificação da reforma possa ocorrer o mais rápido possível", disse o chanceler brasileiro.
"A reforma da governança internacional do ponto de vista brasileiro é fundamental tanto na área econômica quanto na área política", completou. Para o chanceler chinês, o sistema de governança internacional pode ser "mais aperfeiçoado".
Investimentos
Wang Yi afirmou ainda que a visita do presidente chinês ao Brasil tem entre os objetivos aprofundar a cooperação entre os países. "No ano passado a China fez investimentos na América Latina no valor de US$ 16,5 bilhões. Isso é apenas 1/6 do investimento chinês no exterior. Vemos um grande potencial e espaço para aumento de investimentos", disse o chanceler.
Segundo ele, o foco principal de investimentos são obras de infraestrutura. "Nos últimos anos estamos pensando em criar um fundo com um alto valor para apoiar a construção de [obras de] infraestrutura da América Latina e Caribe."
Ele destacou ainda a perspectiva de aumento de chineses em visita ao Brasil. Segundo ele, no ano passado 98 milhões de chineses viajaram para destinos internacionais. "Este ano com certeza essa quantidade vai ultrapassar 100 milhões."