Cultura

Identidade Visual

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Designers são profissionais que dão formas ao nosso mundo, transformam ideias em realidade, buscando algo original, afetando nossos entendimento, opinião e comportamento. Seja para comunicar ou objetivando a melhor performance ou a beleza, os traços e cores do designer gráfico são imprescindíveis na medida que ordenam e dão forma à informação visual.

Livros, revistas, jornais, sites, embalagens, logotipos, layouts, banners, outdoors, storyboards, cartazes, pôsteres, cartões… Se você já teve contato com algo assim - e certamente já teve porque esta página que está lendo é um produto do design -, já usufruiu do trabalho de um designer gráfico. Amanhã (27/04) é dia de parabenizá-lo, pois é celebrado o Dia Internacional do Designer Gráfico.

Em tempo: a data foi instituída por uma iniciativa do International Council of Graphic Design Associations (Icograda) e é celebrada desde 1995.

João Marcelo Ribeiro Soares, professor do curso de design do Iesb/Preve, aponta a importância dos conceitos de design na informação. “Se for analisar os países mais desenvolvidos, o design está sempre em primeiro plano”, constata. A atuação do designer vem desde a promoção e incentivo ao consumo até na potencialização e simplificação para atender melhor o usuário ou consumidor.

“A questão tanto do estímulo do consumo a gente pode ver como ponto negativo. Porque acaba criando novas demandas. O que acaba impulsionando o atual mercado que temos é o design, que renova ciclos de consumo”, analisa Soares. O professor, no entanto, ressalta que tem outra área do design que costuma não ser lembrada.

Soares salienta que o desafio do designer é transformar informação, muitas vezes complexa, em algo imediatamente identificável visualmente.

“Naturalmente, a gente olhando para um produto, ele deve explicar para que serve, como funciona e como deve ser utilizado. Isso vai ser feito pela informação visual. É você interpretar aquele objeto e sabe como usá-lo. Isso pode depender de um repertório ou não”, condiciona.

Segmentação

No campo design gráfico, os conhecimentos e técnicas também são ferramentas na segmentação de produtos por classe social e níveis culturais, de acordo com Soares. 

“Na questão gráfica, quando o designer usa valores culturais de um determinado grupo, acaba afastando os grupos que não se identificam com aquilo”, complementa.

Assim, através de seu trabalho obtém uma identificação profunda com o produto. “O designer trabalha com valores culturais e contribui para formar cultura a respeito de algumas áreas”, pontua, destacando que tipografia e cores são ferramentas poderosas da identidade visual.


Identificado pela capa

O trabalho do designer gráfico muitas vezes se torna a identidade de um disco. Capas clássicas tornam-se muitas vezes mais conhecidas do que as músicas que o disco traz.

Não chega a ser o caso de “The Dark Side of Moon”, de 1973, do Pink Floyd, mas certamente esta capa é uma das mais conhecidas e geniais da história do rock.

Criada pelo designer gráfico Storm Thorgerson, a capa traz um prisma liberando um feixe luz, mostrando a refração. O fundo é preto. Simples e emblemático. Outro trabalho aclamado de Thorgerson para o Pink Floyd é a capa de “The Division Bell (1994)”, que virou até selo postal. “O trabalho que ele criou para o Pink Floyd de 1968 até hoje foi uma parte inseparável do nosso trabalho”, declarou David Gilmour, guitarrista do Pink Floyd, na ocasião da morte de Thorgerson. O que dá a dimensão do quanto o trabalho de designer gráfico pode se tornar intrínseco ao próprio disco.

Thorgerson, que morreu em abril do ano passado, é por sinal um dos mais aclamados artistas gráficos na concepção de capas de disco.


‘Filmes em cartaz’

Outro suporte que tem suas possibilidades estruturais e formais exploradas por projetos de design gráfico são cartazes.

Eventos artísticos em geral ficam marcados por cartazes famosos. Com filmes, pôsteres e capas podem se tornar emblemáticos.

“O cartaz ideal é um símbolo que resume a intenção principal do drama que está ali”, define, em entrevista ao Núcleo do Cinema o designer Fernando Pimenta, autor do livro “O Cinema Brasileiro em Cartaz”.

Vale observar que Pimenta foi diretor de criação da Embrafilme de 1979 a 1982 e criou os cartazes de “Bye Bye Brasil (1980)”, “A Marvada Carne (1985)”  e “Se Eu Fosse Você 2 (2009)”.

 

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