Pela primeira vez na história, o Vaticano canonizará dois papas juntos: João Paulo II e João XXIII. E também pela primeira vez na história dois papas vivos assistirão ao processo. O papa Francisco comandará a cerimônia. E o Papa emérito Bento XVI estará presente. Em Bauru, um religioso de 78 anos, homônimo dos dois, comenta o momento histórico.
É com alegria no coração que o monsenhor João Antônio Domingos, vigário da igreja de São Sebastião, verá hoje a canonização de dois papas, com nomes iguais ao seu. “Um nome, no meu caso, de família, com a mãe escolhendo porque era devota de São João Batista, um grande protetor”.
Ele tem certeza de que será um momento muito especial para a Igreja Católica, e abençoado com “a ação do Espírito Santo, uma força divina, que emana de Deus”. E que foram líderes e serão exemplos para um “momento muito especial que a Igreja Católica está passando. Um bom momento, sem dúvida, o mundo todo vai se espelhar nos passos deles, valorizando os mais necessitados, estão sempre em favor do povo”.
Contato com João Paulo II
Monsenhor João, ano passado, completou jubileu de ouro como sacerdote e já teve a felicidade de estar diante de João Paulo II, por duas vezes. A primeira foi em 1980, integrando um séquito de bauruenses quando o papa esteve no Campo de Marte. “Havia um milhão de pessoas. E foi uma bênção, uma reunião bem proveitosa”, recorda ele. Momentos de emoção.
Outro momento especial ele viveu, cerca de 20 anos depois, voltando de uma viagem espiritual a Israel, “a comitiva de padres bauruenses, inclusive o bispo, passou pelo Vaticano. E lá na praça de São Pedro, cinco mil padres receberam a bênção do Papa João Paulo e todos concelebraram a missa. Foi quando vimos o santo padre mais de perto, passando com o Papa Móvel ao nosso lado e nos abençoando”.
A presença do Espírito Santo
Ao avaliar a importância de ambos, o monsenhor lembra que “João XXIII inovou com a atitude dele, poderia ter se acomodado, já estava de mais idade, nem tão bem fisicamente, mas soube ter uma atitude conduzindo o Concílio, uma mudança radical, acompanhando a evolução necessária dos tempos. E fez isso com firmeza, com coragem”, enfatiza. “Ali já era a ação do Divino Espírito Santo”, sentencia. Para ele, João Paulo II enfrentou um papado difícil. “Os tempos eram mais turbulentos, o mundo todo vivia mais tenso, mas ali já demonstrou o quanto era santo”, avalia.