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Entrevista da semana : Jurandir Luiz Carrara

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Arquivo Pessoal

Com a esposa Mafalda e os filhos Maria de Fátima, Maria Cristina, Cláudia Maria e Marcelo

Ele conta com orgulho que está prestes a completar 56 anos de casamento e que formou uma linda e numerosa família, com quatro filhos, dez netos e seis bisnetos: “Mafalda é uma companheira maravilhosa. Nunca tivemos grandes desavenças e vivemos um para o outro. Se um sai e demora um pouco mais, o outro já se preocupa. Somos felizes!”, diz o entrevistado de hoje, Jurandir Luiz Carrara.

Atual presidente da Associação dos Diabéticos de Bauru (ADB), Jurandir sempre dividiu a vida entre o comércio e a família. Conhecido na cidade como “Riachuelo” pelas décadas de dedicação à empresa de mesmo nome, ele esteve à frente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) na década de 1970 e, já aposentado, montou a loja Jurandir Carrara Calçados, extinta em 2010.

Jornal da Cidade - A sua vida profissional foi toda dedicada ao comércio, certo?

Jurandir Luiz Carrara - Antes de tudo fui engraxate na “baixada do Silvino”, região da Nuno de Assis (risos). Profissionalmente, eu comecei a trabalhar aos 15 anos de idade, como alfaiate. Eu aprendi o ofício com o meu irmão Wilson Carrara. Ele era dos bons. Logo em seguida, eu entrei para a loja Regional Clipper, como buteiro, que é o alfaiate de consertos. Passei para vendas, chefia e gerência em São José do Rio Preto, isso em 1973. A situação da loja não estava boa e a Riachuelo havia me convidado para trabalhar lá. Pedi conselhos para um colega de trabalho, meu superior, e aceitei o convite.

JC - De São José do Rio Preto...

Jurandir - Dois dias após sair do último emprego eu já estava registrado na Riachuelo de São Paulo. Lá, eu fiz estágio durante alguns meses em lojas de vários bairros. Em 1974 já havia uma unidade em Bauru, perto das Lojas Americanas, mas foi construída uma loja nova e eu participei da sua construção e inauguração. Fiquei aqui por seis meses e fui transferido para São Bernardo do Campo, onde fiquei durante outros seis meses e inaugurei mais uma loja. Voltei para Bauru, trabalhei por mais 11 anos e, em maio de 1985, fui transferido para Anápolis, em Goiás. Nesta cidade, inaugurei uma grande loja. Eu fiquei quatro meses trabalhando em Brasília, a família ficou em Anápolis e eu viajava toda semana. Praticamente morei em hotel nessa época.

JC - E quando voltou a Bauru?

Jurandir - Em março de 1986, inauguramos a loja de Anápolis. Eu já estava lá há três anos, meus pais, irmãos, sogros, filhos, netos... Todo mundo vivia em Bauru, então pedi para voltar para a região. Em maio de 1988 eles me mandaram para Araraquara. Fui gerente por quatro anos e deixei a cidade para voltar a Bauru, em janeiro de 1992.

JC - Como teve início a Jurandir Carrara Calçados?

Jurandir - Voltando de Araraquara, eu preparei a minha aposentadoria e, logo em seguida, montei a minha loja de calçados na quadra 8 da avenida Rodrigues Alves. Fiquei com a loja neste endereço por uns seis anos. Apesar da loja ser muito bonita e conceituada, o aluguel era muito alto, então nos mudamos para o Jardim Redentor, onde fiquei até 2010 e encerrei o ciclo no comércio. Parei para cuidar da saúde e também porque tinha levado muito calote.

JC - Foi quando o senhor passou a se dedicar  à Associação dos Diabéticos de Bauru?

Jurandir - Sim. Fui presidente da associação no período 2010/2012 e reeleito para 2013/2014. Nosso trabalho é muito útil para a sociedade, para os diabéticos e seus familiares. É uma organização sem fins lucrativos. Somos todos voluntários e a sede fica na quadra 28 da avenida Nações Unidas. O nosso telefone de contato é (14) 3224-2908. Damos apoio e orientações aos portadores da doença, familiares e todos os que tiverem interesse em saber mais sobre o assunto. A diabetes é uma doença que tem progredido muito. A associação foi fundada em 1983 e segue firme na luta. O grupo também se une para ações solidárias. Uma delas é a distribuição de alimentos, como legumes, para famílias do Redentor. Também fazemos festas para arrecadar fundos para nossas campanhas e manter a associação, que vive de contribuintes. 

JC - O senhor diz que a família é o seu hobby.

Jurandir - Sim, porque tenho uma família muito grande, com quatro filhos, dez netos e seis bisnetos. Eu sou muito caseiro e gosto de ficar com eles, preocupar-me com eles...

JC - O senhor parece ser um homem religioso. As filhas são Marias, a “nota 10” é para o papa...

Jurandir - Sou muito. Sou católico apostólico romano. Ando sempre com meu terço protetor no bolso. Fiz parte da Paróquia São Sebastião durante 45 anos, na Vila Cardia. Depois, mudei-me para o Redentor e participo da Igreja Maria Mãe do Redentor, regida por marianistas. Participo do terço dos homens, sou acólito... Dei a “nota 10” para o papa porque senti que ele está com ideias boas de renovação da imagem do Vaticano. E ele tem um jeito todo especial. Já está sendo um grande papa, humilde, sem ostentação.

JC - O comércio sempre foi paixão?

Jurandir - Sim. Adoro o comércio. Eu concluí o curso de contabilidade no Liceu, mas nunca exerci a profissão porque o comércio me absorveu. Posso dizer que só de Batista de Carvalho somei mais de 30 anos. Tanto que, quando me aposentei, montei uma loja em menos de um mês (risos).

JC - E por falar em família...

Jurandir - No dia 3 de maio vamos completar 56 anos de casados. Mafalda é uma companheira maravilhosa. Sempre me apoiou e teve paciência, já que tive de me mudar várias vezes por causa do trabalho. Nessas minhas viagens, somente moramos juntos em Anápolis e Araraquara. A nossa história é interessante. A primeira vez que nos olhamos foi no cemitério, no Dia de Finados (risos). Na noite do mesmo dia, fazendo footing em frente ao Cine Bauru, começamos a namorar. Nunca tivemos grandes desavenças e vivemos um para o outro. Se um sai e demora um pouco, o outro já se preocupa. Somos felizes! 

JC - Quais são as suas memórias de Arealva?

Jurandir - Vim para Bauru aos 10 anos de idade. Sou filho de uma família de nove irmãos (quatro já falecidos). Minhas lembranças são muito boas. Arealva era uma cidadezinha pacata, onde eu jogava futebol com bola feita de meia, papel e retalhos (risos).    

JC - Um fato curioso sobre a sua vida.

Jurandir - Ah, tenho um que é curioso e até engraçado. Fiquei famoso por participar de um filme (risos). É verdade. Isso aconteceu em 1974, com o filme “As mulheres sempre querem mais”. Tal longa nacional estava sendo filmado na Praça Rui Barbosa, com o ator Nuno Leal Maia. Eles me viram passando por lá e eu fui convidado para fazer duas cenas. O filme foi exibido nas telas da cidade e recebi ligações de amigos de várias partes do Brasil (risos).

PERFIL

Nome: Jurandir Luiz Carrara

Idade: 77 anos

Local de Nascimento: Arealva/SP

Signo: Câncer

Esposa: Mafalda

Filhos: Maria de Fátima, Maria Cristina, Marcelo e Cláudia Maria 

Hobby: Cuidar e estar com a família

Livro de cabeceira: Bíblia

Filme preferido: Gosto de filmes de ação

Estilo musical predileto: Samba

Para quem dá nota 10: Para o papa Francisco

Para quem dá nota 0: Para a corrupção que degrada a educação e a saúde do País. O INSS também merece zero

 

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