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Acúmulo de gordura e o coração
A maioria dos pacientes obesos desenvolvem a síndrome metabólica, uma combinação de fatores caracterizados pela resistência à insulina e pela dislipidemia. Essa condição pré-diabética tem sido reconhecida como um fator de risco independente para doenças cardiovasculares, incluindo a hipertesão, a aterosclerose e a cardiomiopatia diabética. Um dia dieta rica em colesterol exacerba a aterosclerose e uma dieta a curto prazo rica em gordura resulta em uma disfunção sistólica discreta. Em ratos obesos ocorre uma hipertrofia cardíaca concêntrica e uma hipertrofia dos cardiomiócitos, mas nenhuma alyeração na densidade capilar.

Resistência
A resistência à insulina presente nos obesos provoca uma mudança no metabolismo energético, diminuindo a absorção de glicose e aumento a de lipídios. Como resultado, o acúmulo de gordura no coração promove uma mudança em muitos genes que regulam essa utilização glicose-gordura na obtenção de energia. Ocorre também um prejuízo de vasoconstrição (diminui a passagem de sangue pelos vasos) secundário ao consumo de uma dieta rica em gorduras, o qual é atribuído a alterações na síntese de óxido nítrico (vasodilatador). Com relação a performance cardiáca ocorre um comprometimento no estímulo beta adrenérgico dos cardiomiócitos com acúmulo de gordura.

Saúde articular
A osteoatrite (OA) é uma doença degenerativa progressia e a forma mais comum de artrite, sendo caracterizada pela dor articular, mobilidade prejudicada e mudanças degenerativas do tecido articular, como a cartilagem articular. A obesidade é um fator de risco significativo para a OA, especialmente no joelho, entretanto, o aumento da incidência de OA em articulações as quais não sofrem com o peso excessivo, como as mãos, sugere que os fatores sistêmicos da obesidade, como as citocinas pró-inflamatórias contribuem para a OA.

Sedentarismo
Esses prejuízos articulares também promovem um aumento do sedentarismo dessas pessoas contribuindo ainda mais para o acúmulo de gordura. Uma atividade física intensa pode prejudicar ainda mais o quadro degenerativo articular e por isso deve ser feita com cautela e com a ajuda de um profissional da área. O exercício se bem aplicado, pode oferecer efeitos protetores na dor e função articular através dos seus efeitos nos mediadores sistêmicos inflamatórios.

Gordura e o cérebro
O consumo de a longo prazo de dietas ricas em gordura, carboidratos refinados e calorias são a principal causa da obesidade. Ela está associada com um padrão crônico de inflamação, caracterizada por uma produção anormal de citocinas, aumento de fase aguda de reagentes e outros mediadores e, ativação de uma rede de vias de sinalização inflamatórias. O sistema imune inato e a inflamação também são ativados com um aumento nos níveis séricos de gorduras, como o colesterol e os ácidos graxos saturados de cadeia longa.

Índice de massa corporal
As complicações clínicas da obesidade são cada vez mais abrangentes e afetam a fisiologia e a função cerebrais. Estudos tem reportado déficits no aprendizado, na memória e na função executora de obesos comparados a pessoas não obesas. Outros associam o aumento no índice de massa corporal (IMC) com um menor volume cerebral. Um aumento dos níveis na ligação de citocinas tem sido demonstrado em algumas áreas relacionadas à memória e ao aprendizado. Citocinas inflamatórias como a IL-1beta e a IL-6 podem romper mecanismos neurofisiológicos envolvidos com a cognição e com a memória.

Consumo perigoso
Desordens demenciais como o Alzheimer também são mediados em parte via excesso de inflamação no cérebro. Um consumo alto de gorduras está associado com um queda significativa nos níveis de BDNF, um fator necessário para a memória de longa duração. Além disso, a gordura em excesso pode provocar uma queda nos níveis de mielina afetando a transmissão sináptica. Adipocinas específicas, como a adiponectina e a leptina são cruciais para a saúde cerebral.

Gordura e sistema reprodutor
Estudos recentes em humanos e outras espécies mostram que a obesidade masculina prejudica o potencial reprodutor do homem, afetando as estruturas moleculares e físicas do esperma e da saúde do feto em desenvolvimento e consequentemente do recém-nascido. Nem sempre a fertilidade é prejudicada em homens obesos, mas aproximadamente 80% dos casos de homens que procuram clínicas de fertilidade são obesos ou sobrepesos, sugerindo uma interação entre o acúmulo de gordura excessivo e a função do esperma. No caso das mulheres, o excesso de gordura pode provocar redução da fertilidade e alterações no ciclo menstrual.


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