Bairros

?Bolsas? aquecem economia de bairros

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Só em Bauru, atualmente, 100.387 pessoas de baixa renda recebem diversos benefícios sociais, sejam eles vindos dos governos dederal, estadual ou municipal. Este quase um terço de toda a população bauruense acaba sendo responsável por uma parcela significativa na movimentação financeira, principalmente nos bairros mais periféricos. Por mês, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) repassa R$ 9,75 milhões em forma de bolsas, auxílios e programas.

Para que todos esses benefícios cheguem à população, é preciso que os interessados estejam devidamente inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), que é uma ferramenta de mapeamento para o País (leia mais ao lado).

Não é de hoje que esses auxílios são alvo de uma grande polêmica. Aqueles contrários aos programas os taxam de assistencialistas.

No entanto, o fato é esses valores movimentam a economia, principalmente, nos bairros. O economista Reinaldo Cafeo explica que os valores são “de subsistência” e, geralmente, são gastos com gás, mercearia, alimentação, material escolar, ou seja, movimentando os comércios locais.

“Têm muitas pessoas que olham de fora e não conhecem, por exemplo, o Bolsa Família. Elas enxergam as distorções. Quando você olha o contexto econômico, essas bolsas compensam a má distribuição de renda”, aponta o economista.

Em relação ao fato de grande parte dos benefícios ser gasto nos comércios dos bairros periféricos, Cafeo confirma. “A somatória desses valores beneficia a própria comunidade”, disse.

Significativo

Fernanda Moreira da Silva, 41 anos, comprova na pele essa “injeção” que os benefícios dão aos bairros. Ela tem um minimercado no Parque Jaraguá. De acordo com a comerciante, o valor que esses benefícios somam nas suas vendas é significativo.

“É um movimento grande de pessoas que gastam os seus auxílios aqui. Eu acredito que significa 10% de toda a renda mensal do meu estabelecimento”, relata.

Como também está localizado próximo a uma escola, a movimentação dos “bolsistas” é grande. “Além de ficarmos perto dessa escola, as pessoas do próprio bairro preferem comprar aqui do que ir até o Centro e ainda gastar com ônibus e carro. Então, esses beneficiários acabam sendo uma parcela significativa do que vendemos por aqui”.


Cadastro Único

O Cadastro Único (CadÚnico) tem como objetivo retratar a situação socioeconômica da população brasileira. Com essa ferramenta, que mapeia as famílias de baixa renda, o governo espera conhecer as necessidades e subsidiar a formulação e a implantação de serviços sociais que as atendam.

A utilização do CadÚnico pelas três esferas do governo proporciona maior abrangência dos programas sociais e visa evitar a sobreposição de programas para uma mesma família. Todo município brasileiro deve incluir as famílias em situação de pobreza no Cadastro Único.


Sebes argumenta que vários benefícios sociais são associados a itens como educação e trabalho

Os benefícios sociais também estão diretamente ligados à educação. Atualmente, em Bauru, 96,34% das crianças e jovens, de 6 a 17 anos, cadastradas no Bolsa Família, têm acompanhamento de frequência escolar. A média nacional é de 92,03%, ou seja, o município está acima deste número.

“Para receber os benefícios, as famílias têm que cumprir condicionalidades. Por exemplo, para receber o Bolsa Família, é preciso que os filhos tenham frequência nas escolas, assim como no Renda Cidadã. Se essas condicionalidades não forem cumpridas, a pessoa deixa de receber o benefício”, destacou Darlene Tendolo, titular da Sebes.

Além do vínculo direto com a educação, os benefícios sociais também estão ligados ao mercado de trabalho. Darlene Tendolo ressalta que, junto com os auxílios, a Sebes trabalha para inserir o beneficiado no mercado de trabalho. “Temos diversos programas, como o Pronatec (Programa Nacional  de Acesso ao Ensino Técnico), que faz a reinserção no mercado de trabalho ou ajuda o beneficiado a se profissionalizar”.

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