A Polícia Civil em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) investiga três suspeitos de estupro contra uma aluna de 18 anos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) durante uma festa universitária em uma chácara no último sábado.
A Delegacia de Defesa da Mulher não deu detalhes sobre os suspeitos. A Unesp de Botucatu informou, em nota, que tem aberto sindicâncias para apurar denúncias de estupro e trote violento.
A estudante e amigas participavam de uma festa para comemorar o aniversário de uma república de estudantes de cursos da Faculdade de Ciências Agronômicas do campus de Botucatu. O evento reuniu cerca de 400 pessoas.
A aluna ainda será ouvida, mas, segundo a delegada Simone Tuono, ela contou, em conversa informal, que estava alcoolizada e que só se lembra de, ao chegar em casa, notar um sangramento na calcinha e sentir dores de um ato sexual consumado.
“Ela disse que se lembra de pouca coisa, e que acordou no meio da festa de repente. Diz que muitas coisas vêm à cabeça, mas não sabe se aconteceram ou se foi um sonho”, disse a delegada.
A aluna registrou boletim de ocorrência na polícia e passou por exame de corpo de delito.
O resultado deve sair em dez dias.
Para Tuono, a forma tímida como a aluna relatou o caso demonstra uma reação típica de vítimas de estupro, de vergonha e medo. “Mas ela teve muita coragem de denunciar. Há mulheres que passam pela mesma situação e não fazem boletim de ocorrência.”
Outros casos
Integrantes da república que promoveu a festa foram à delegacia ontem, segundo a delegada, para oferecer ajuda às investigações.
Não é o primeiro caso neste ano de suspeita de abuso sexual contra alunas da Unesp. Em janeiro, segundo a delegacia, uma aluna registrou boletim de ocorrência, dizendo que um homem a segurou e a bolinou dentro de um alojamento da universidade.
Ainda segundo a delegada, há relatos da imprensa local sobre outro caso, um estupro dentro de uma república, há um mês, mas a suposta vítima não procurou a polícia.
Sigilo
Em nota, a Unesp de Botucatu informou que todas as denúncias de suposto trote violento ou estupro “vêm sendo objeto de processos administrativos” para apuração, com abertura de sindicância. Uma comissão investiga os casos, sob sigilo. Os autores, quando identificados, estarão sujeitos a punições, como expulsão. Em relação aos trotes, ainda segundo a nota, a comissão central de recepção dos calouros orienta veteranos e novos alunos sobre a proibição de trotes no campus.