Completado um ano do atual ciclo de aperto monetário - que ampliou em 3,75 pontos percentuais a taxa básica de juros desde março do ano passado -, os juros cobrados pelos bancos ainda não absorveram totalmente essa elevação.
Os juros médios para empréstimos a pessoas físicas cresceram 3,3% nos últimos 12 meses, ficando em 27,7% ao ano em março, informou nesta terça-feira (29) o Banco Central.
Segundo Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, há uma “defasagem” entre o movimento dessas duas taxas, dando a entender que o aperto monetário já praticado ainda terá repercussão nos juros cobrados pelos bancos a seus clientes. Na mesma linha, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, costuma afirmar que o ciclo de aperto monetário ainda tem efeitos a serem sentidos na inflação.
Outros fatores influenciam nas taxas cobradas pelos bancos, como competitividade e demanda, explicou Maciel.
Nos últimos 12 meses, o spread bancário -diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam pelos recursos no mercado e a taxa de juros que cobram de seus clientes nas operações de crédito- cresceu 1% nos empréstimos a pessoas físicas.
Em março, a inadimplência de pessoas físicas (no mercado de recursos livres) foi de 6,5%, resultado estável comparado ao mês anterior. Entre pessoas jurídicas, a taxa de inadimplência foi de 3,3%.
Retomada Gradual
O saldo total de crédito do sistema financeiro foi de R$ 2,8 trilhões em março, um aumento de 1% em comparação com fevereiro, informou o Banco Central.
Em 12 meses, o crescimento foi de 13,7%, considerado “moderado”, segundo Maciel, que afirma estar havendo uma “retomada gradual” no crédito no início do ano.
Maciel estimativa um crescimento de 13% no crédito bancário ao longo do ano.