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Centrais ampliam foco e querem discutir os grandes temas do País


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Historicamente, as entidades sindicais têm concentrado suas reivindicações e bandeiras em questões importantes e restritivas aos interesses da classe trabalhadora, homenageada pelo feriado de hoje. As reivindicações das principais centrais, contudo, estão cada vez mais amplas. Políticas econômicas de macroabrangência foram inseridas nas pautas, que visam a melhora da qualidade de vida do proletariado brasileiro.

 

Edson Dias Bicalho, da Força Sindical, explica que o movimento sindical não está com o olhar voltado apenas para o lado de dentro da fábrica. “Estamos preocupados com as condições de habitação, do transporte público, dos serviços de saúde e não apenas com as questões trabalhistas propriamente ditas. Hoje em dia, queremos discutir, inclusive, a problemática ambiental”.

 

Membro da CGTB, Luiz Alberto Bataiola diz que a central está empenhada em propor, por exemplo, alternativas para a política econômica adotada pelo governo federal. “Nós queremos saídas para retomarmos o crescimento. Para isso, a redução da taxa de juros não tem como ficar de fora da nossa pauta”.

 

Ele é vice-presidente do sindicato que representa os trabalhadores dos Correios e pontua que um dos principais desafios do movimento sindical é mobilizar toda a sociedade para suas bandeiras. 

 

“O combate à corrupção e ao malfadado governo de coalisão também não pode ser ignorado. E não estou falando apenas da União. Os candidatos de oposição [à presidente Dilma Rousseff] adotavam práticas idênticas nas gestões dos Estados de Minas Gerais e Pernambuco. O buraco é muito mais fundo”, ressalva Bataiola.

 

Dirigente da CSP-Conlutas, o bancário Paulo Sérgio Martins pontua que os sindicatos associados darão continuidade às críticas aos gastos com a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. 

 

“O País tem outras demandas de primeira necessidade. A gente diz que vai ter Copa, mas vai ter luta também”.

 

Educação

 

Entre as centrais sindicais com atuação em Bauru, é unânime o pleito pela destinação de 10% do PIB ou do Orçamento da União para a Educação. Diretor regional da CUT-Bauru, Francisco Wagner Monteiro (Chicão) conta que a reivindicação esteve na pauta da mais recente marcha realizada em São Paulo, no último 9 de abril.

 

Além dos movimentos de trabalhadores, a causa é considerada por especialistas como essencial para a busca por garantias de padrão mínimo de qualidade no setor.

 

 

Mínimo

 

 

Fixado em R$ 724,00 para 2014, o salário mínimo sempre foi um dos centros das discussões sindicais. Chicão observa, contudo, que o pleito pela valorização do direito vai muito além da luta pela dignidade do trabalhador. “Hoje, não temos o cenário ideal, mas não dá para negar os avanços dos últimos anos. A questão é matemática. Quando há a integração do trabalhador ao grupo de consumidores, a roda da economia gira com mais desenvolvimento, cultura e riqueza”. O dirigente aponta ainda a reforma tributária como ponto crucial para a classe. 

 

Jornada menor

 

A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais está na pauta comum da CUT, CGTB e Força Sindical. A CSP/Conlutas, porém, defende o patamar de 36 horas. 

 

O fator previdenciário, criado em 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), é outra reivindicação feita por todos os movimentos. A aplicação do cálculo reduz o valor das aposentadorias.

 

A CUT pede ainda o fim das demissões sem justa causa. Segundo Francisco Wagner Monteiro, a multa de 40% do FGTS já não é mais fator impeditivo às dispensas imotivadas por parte do setor empresarial.

 

A valorização da mão de obra feminina também integra o rol de lutas da central.

 

“Comunicação: Desafio do Século” é a temática

 

A regional de Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Prefeitura de Bauru promovem hoje o tradicional evento do 1 de Maio, no Dia do Trabalhador. O tema adotado nacionalmente para celebrar a data é “Comunicação: O Desafio do Século”. As atividades acontecem a partir das 9h, no Parque Vitória Régia.

 

“A data é a mais importante da classe trabalhadora. Mais do que comemorar as conquistas, é um momento para refletirmos sobre os próximos desafios e aglutinar força e disposição para enfrentarmos um novo período de luta. Precisamos intensificar a luta pela comunicação como um direito humano, como está na Constituição”, avalia Francisco Wagner Monteiro (Chicão).

 

No início do dia, haverá o lançamento da campanha “Para Expressar a Liberdade” e depois diversas apresentações culturais seguirão ao longo do dia. (Leia mais na página 27). Às 18h40, ocorrerá o Ato Público do Dia Internacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, quando sindicalistas e seus parceiros farão uma saudação ao público sobre as pautas nacionais da classe.

 

Terceiros

 

Tramita no Congresso Nacional o projeto de lei 4330, que busca permitir a terceirização de profissionais que exercem atividades fins em empresas. CUT, CGTB e CSP-Conlutas encaram como prioridade a luta pela rejeição da proposta.

 

O contraponto parte da Força Sindical. Para Edson Bicalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Bauru e Região, a terceirização da mão de obra é uma realidade irreversível. “Já acontece no Brasil e no mundo. Não há como negar. Seria a mesma coisa de dizer que somos contrários à globalização”, diz.

 

O dirigente afirma, porém, que a categoria pretende discutir a regulamentação das terceirizações. A CUT, por sua vez, atribui às terceirizações o fenômeno da desqualificação da mão de obra e precarização das condições de trabalho. Paulo Martins, da Conlutas, afirma que, se aprovado, o projeto colocará em risco os postos de emprego nos setores públicos e privado. 

 

Nos Correios, a terceirização já provoca prejuízos, segundo Luiz Bataiola, da CGTB.

 

Dez foram empregados ao buscar seguro-desemprego 

Dados levantados pela direção regional da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) do Estado de São Paulo concluíram que, dos 134 bauruenses que foram até o Poupatempo para dar entrada no seguro-desemprego neste ano, dez saíram com trabalho. Isso porque, assim que as pessoas procuram pelo benefício, o órgão já indica vagas que se encaixem no perfil de cada uma delas, se houver disponibilidade.

 

De acordo com Alexandre Ciro Perin Bertoni, diretor regional da Sert, o Poupatempo faz o pedido de seguro-desemprego desde a sua inauguração em Bauru, no ano de 2006, mas com um diferencial: o órgão indica vagas que estejam no perfil dos candidatos, quando possível. 

 

Porém, o que se constata é que muitos querem gozar do benefício e não de uma nova oportunidade. Bertoni explica que, se a pessoa se recusar a participar do novo processo de seleção, ela pode até perder o seguro-desemprego.

 

“Uma triste realidade que temos é a cultura de que o seguro-desemprego, que beneficia, por cinco meses, trabalhadores mandados embora sem justa causa (leia mais abaixo) é uma renda. Não deveria ser assim, mas funciona como uma segunda renda”, explica

 

O diretor regional da Sert expõe que o benefício deve ser utilizado em uma situação de excepcionalidade, “ou seja, quando os trabalhadores têm dificuldades de voltar ao mercado. Diante disso, o Poupatempo oferece essas oportunidades, quando elas estão disponíveis, logo que a pessoa dá entrada no pedido do benefício”.

 

Mudança

 

Há pouco tempo, o Poupatempo não prestava esse serviço sozinho. No Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os bauruenses também conseguiam dar entrada no benefício de seguro-desemprego. Por que mudou? Exatamente porque os desempregados “fugiam” da triagem que proporciona uma nova oportunidade para gozar do benefício.

 

Essa mudança de serviço ocorreu em dezembro do ano passado porque os bauruenses faziam filas no MTE para conseguir o seguro-desemprego, sendo que, no Poupatempo, o número de atendimentos era bem menor.

 

O gerente regional do MTE em Bauru, José Eduardo Rubo, explica que essa elevada procura pelo benefício em um órgão e não no outro se dava porque não havia oportunidade de recolocação no mercado no MTE. 

 

“Os balcões de emprego estão nas mãos dos Estados, não da União. Por isso, o Poupatempo oferece vagas de emprego e o Ministério, não. Diante dessa situação, a população ‘fugia’ de vagas ao dar entrada no benefício pelo Ministério. A partir daí, resolvemos parar com esse atendimento”, esclarece.

 

 

O benefício

 

O seguro-desemprego é o pagamento da assistência financeira temporária, não inferior a um salário mínimo, pago aos trabalhadores mandados embora sem justa causa. Ele é pago de três a cinco parcelas e seu valor varia de caso a caso.

 

Tem direito ao benefício todo o trabalhador dispensado que comprovar ter recebido salário nos últimos seis meses.

 

‘Nem deu tempo de pegar o seguro’

 

Christian Ricardo Sardana Franco, 32 anos, trabalhava como embalador de cargas, mas perdeu o emprego no final do ano passado. Casado e com três filhos pequenos, ele foi até o Poupatempo para dar entrada no seguro-desemprego.

 

Oportunidade

 

Porém, logo que ele chegou no local, foi feita a triagem para uma nova oportunidade. Havia uma vaga disponível que se encaixava com o perfil de Franco. 

 

Diante disso, ele nem chegou a ser contemplado pelo benefício. “Nem deu tempo de conseguir obter o seguro-desemprego. Assim que procurei o benefício, já consegui uma nova oportunidade. Inclusive, hoje (anteontem), fui efetivado pela empresa”, destaca Christian Franco.

 

Escassa no mercado, mão de obra braçal tem salários acima dos pagos aos ‘diplomados’

 

Escassa, a mão de obra braçal passou a ser melhor remunerada. É possível encontrar em Bauru profissionais como pedreiros, motoristas e eletricistas que recebem em torno de R$ 2 mil mensais. Por outro lado, funcionários diplomados de vagas administrativas, com salário pela metade desse valor. 

 

O fenômeno pode ser explicado pela “lei” da oferta e procura. Ela gerou demanda maior de mão de obra operacional (braçal) mais rara no mercado, uma vez que ele estava cada vez mais ocupado por profissionais graduados. 

 

Esse aumento de graduados se deve ao fácil acesso ao ensino superior, tendo em vista programas federais que concedem bolsas aos estudantes matriculados em universidades. Assim, diversas áreas do mercado de trabalho ficaram saturadas. Consequentemente, nestes segmentos, os proventos caem. 

 

Carla Cervati, consultora de Recursos Humanos de uma empresa em Bauru, observa que essa mudança ocorre há cinco anos e atribui o atual cenário ao interesse de muitos em obter uma especialização graduada. 

 

“O grupo de profissionais que pertence à classe operacional busca cursar uma faculdade. Alguns chegam a abandonar a profissão atual por conta disso”, explicou.

 

A profissional pontua ainda que, com menos gente para oferecer trabalho de encanador, por exemplo, há aumento na renda desses profissionais. Porém, desvaloriza áreas administrativas que exigem diploma, deixando-as saturada.

 

“A média salarial para uma vaga administrativa como assistente comercial, hoje, é de R$ 1,2 mil, enquanto cargos como operador de empilhadeira e motorista pagam em torno de R$ 1,6 mil”, esclarece Carla Cervati.

 

Apesar da atual desvalorização salarial de algumas áreas profissionais, a consultora afirma que nem tudo está perdido. “Para quem está em fase de estudo universitário ou especialização, existe a perspectiva em médio e longo prazo de uma melhoria salarial”.

 

Qualidade

 

Para se manter no mercado de trabalho exercendo um “cargo braçal” é preciso se atualizar para oferecer serviço de qualidade, o que requer uma busca constante por “renovar os conceitos”, seja no âmbito universitário ou técnico.

 

O encanador e eletricista Júlio César dos Santos Pereira está há 23 anos na profissão. “Eu faço cursos anuais em fábricas de assistência técnica. Quem para, fica para trás”, garante.

 

Com a média de 700 clientes, Pereira consegue tirar até R$ 3 mil mensais, o que sustenta sua mulher e o filho de 7 anos.

 

“Não é fácil. Eu trabalho o dia todo. Mas graças ao meu esforço, consegui comprar casa, tenho carro próprio e pago escola particular para o meu filho”, comemora.

 

Já a auxiliar administrativa de um banco privado Josy Ribeiro é formada em Administração de Empresas, porém, a área que ela exerce paga, em média, R$ 2,3 mil. 

 

“Eu já trabalhava na mesma área e empresa antes de entrar para a faculdade. O fato de eu ter o diploma não influenciou e não influenciará em um possível aumento de salário”, ressalta.  

 

Atualizações

 

Muitos, diante da desvalorização de algumas áreas de trabalho, devem estar se perguntando: ‘Então não devo fazer um curso superior?”. A orientação dos especialista é outra. O consultor de Recursos Humanos, Cleber Andriotti Castro, atenta para a importância de buscar aprendizados novos.

 

“Mesmo com a faculdade, todos devem almejar inovação. A pessoa precisa se atualizar e se especializar, atuar em projetos sociais e manter uma boa rede de contatos. Isso é o diferencial”, disse. 

 

Castro afirma que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) não acompanhou as mudanças no mercado de trabalho. “Por isso, hoje, muitos prestam serviço de freelancer”, completa.

 

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