Cultura

"Tema da Vitória" vira trilha sonora e marca a trajetória de Ayrton Senna

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

O “Tema da Vitória” não foi pensado para o piloto Ayrton Senna. Mas “colou” nele como marca musical eterna. 

 

 

A concepção da conhecida obra é de 1981 e tinha outros objetivos. Segundo consta, a ideia de ter um tema para as corridas foi do diretor de televisão Aloysio Legey. 

 

A proposta era garantir um fundo musical vibrante ao final de todo Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 nos domingos da Globo. Ou seja: tocaria para o campeão do GP, fosse quem fosse, inclusive estrangeiros.

 

Composta ao piano pelo maestro e arranjador carioca Eduardo Souto Neto, hoje com 63 anos, a música foi gravada por integrantes do grupo carioca Roupa Nova ainda em 1981, mas só seria usada nas transmissões ao vivo a partir de 1983.

 

Curiosamente, o tema começou a ser ouvido pelos telespectadores após vitória de Nelson Piquet no GP do Brasil daquele ano. 

 

Alain Prost também teve o direito de ter o tema executado ao ganhar o GP do Brasil num domingo de 1984. O instrumental, contudo, passou a ser tocado apenas para vitórias de pilotos brasileiros a partir de 1986. Mas se transformou mesmo na “música do Senna”. “O maestro foi feliz. É um bom tema e ficou totalmente associado ao Senna, assim como ocorreu com a música do Rocky Balboa”, observa o baterista Luiz Américo Leoteviller Manaia, 46, o “Ralinho”, de Bauru. 

 

Vitória Régia, há 20 anos

 

Em 1º de maio de 1994, após a tragédia com Senna na pista italiana, foi mantida em Bauru uma programação de shows à tarde no parque Vitória Régia. Lá se apresentaram o Sindicato do Jazz, de Bauru, e o músico tropicalista Tom Zé. O clima geral era de consternação. 

 

Fundador do Sindicato do Jazz em 1993, o baterista Ralinho acompanhou a corrida na casa onde morava, na avenida Rodrigues Alves. “Do meu quarto, na TV pequena. Foi um choque aquela batida”.  Fã de Fórmula 1 até hoje, ele observa:  “Senna pegou aqueles carros mais brutos e brilhou”. 

 

Puxando pela memória, Ralinho se lembrou do show de sua banda naquela tarde/noite do fatídico 1 de maio de 1994 no Vitória Régia. “O Sindicato do Jazz [hoje, Clube do Jazz] abriu para o Tom Zé. Puxa, faz todo esse tempo? Foi bom, mas num clima diferente.  O dia todo foi de total comoção”.   

 

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