Quioshi Goto |
|
|
Kiko Zambianchi interage com guitarrista pouco antes de dividir o palco com os roqueiros Nasi e Marcelo Nova no show que fechou a festa ontem |
O Parque Vitória Régia foi palco de uma grande festa no Dia do Trabalhador, ontem. O público começou a chegar de manhã, mesmo com a temperatura mais baixa e a ameaça de chuva. Pessoas de todas as idades e famílias inteiras passaram pelo evento, realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Prefeitura Municipal de Bauru por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Jornal da Cidade, 96 FM, Confiança Supermercados, Zopone Engenharia e Emdurb, além da parceria do Sesc.
De acordo com Francisco Wagner Monteiro, coordenador da CUT em Bauru, o evento está na 6ª edição e, além de proporcionar entretenimento aos trabalhadores, traz à tona discussões sobre a comunicação entre a categoria, principalmente para que expectativas, como redução de jornada de trabalho, valorização do salário mínimo e reforma tributária, sejam consolidadas.
“Além de tudo isso, os trabalhadores merecem ter acesso à cultura, fato que ocorre no evento de hoje (ontem)”, explica.
Para Elson Reis, secretário municipal de Cultura, a vertente musical escolhida para a festa deste ano foi o rock, com algumas bandas locais como a Fórmula do Rock, e também músicos de renome País afora, como Nasi, da banda Ira!, Kiko Zambianchi e Marcelo Nova, ex-Camisa de Vênus. Porém, os outros ritmos não foram deixados de lado. O evento contou com apresentação de tambores, o Taiko, de bandas de hip hop e uma roda de samba no gramado.
Enquanto a CUT foi responsável pela programação dos shows, a Secretaria de Cultura ficou com o pagamento de palco, som, geradores, seguranças, banheiros químicos e a contratação do show principal, o “Geração Rock 80”, em que se apresentaram Nasi, Kiko Zambianchi e Marcelo Nova. “É importante que os trabalhadores tenham acesso a esse tipo de programação cultural. Com isso, nós valorizamos também os músicos locais, divulgando o belo trabalho que fazem”, defende.
Conquistas e expectativas
A equipe de reportagem do JC esteve no Parque Vitória Régia ontem pela manhã e colheu depoimentos de profissionais de diversas áreas. Alguns deles aproveitaram a folga para comemorar o Dia do Trabalhador. Outros, contudo, estavam a trabalho, mas não deixaram de curtir os shows. Eles aproveitaram a oportunidade para colocar em evidência as conquistas e expectativas de suas respectivas categorias. Leia abaixo.
“Hoje eu estou trabalhando pelo Pronto-Socorro Central (PSC), mas curti bastante o show da banda Fórmula do Rock. Em relação à minha categoria, espero que, finalmente, conquistemos a tão sonhada jornada de trabalho de 30 horas semanais. Mais do que isso, fica muito pesado e o salário não compensa. Espero que a jornada e o salário sejam decentes ainda neste ano, para que eu possa curtir o próximo 1 de maio com mais satisfação”
Valdete Victaliano de Oliveira, 51 anos, enfermeira, moradora do Jardim Terra Branca
“Minha categoria conquistou bastante coisa até agora, mas eu acho que pode conquistar muito mais, desde que seja valorizada pelo poder público. Meu sonho é que, principalmente a área de educação especial, tenha mais apoio dos gestores. Esse setor tem muitas carências. Existem profissionais capacitados que deixam de trabalhar por falta de incentivo”
Tatyane Rocha de Oliveira, 31 anos, pedagoga, moradora do Jardim Gerson França
“Trabalho no setor há 30 anos. De lá para cá, a rotina de trabalho melhorou muito por conta dos avanços na área de informática. Antes tínhamos de datilografar e tirar as dúvidas nas bibliotecas, procurando nos livros, fato que levava muito tempo. O que falta agora é uma maior valorização da mulher. Embora tenha conquistado muito espaço nessa categoria, ela ainda precisa ser mais respeitada”
Elizabeth Inácio da Rocha, 56 anos , secretária, moradora do Parque União
“Eu sou músico há 10 anos e hoje faço parte da banda Fórmula do Rock, que se apresentou no Parque Vitória Régia. Espero que a área tenha um reconhecimento maior. O que falta é oportunidade. Porém, tivemos algumas conquistas significativas no setor. Parece que agora as pessoas enxergam a música e, principalmente, o rock, como algo que agrega conhecimento”
Tiago Jahbless, 27 anos, músico, morador do Jardim Nova Esperança
“O avanço tecnológico, principalmente da informática, melhorou e muito a nossa rotina de trabalho. Diante disso, vejo um futuro próspero pela frente. Essa foi a maior conquista para a área e também o maior desafio, porque exige uma qualificação constante. Técnicas novas surgem a cada momento e temos de aprender a lidar com isso, senão ficamos para trás.”
Claudio Luiz Martins, 46 anos, engenheiro eletricista, morador do Parque Santa Edwirges
Quem passou pelo parque pôde observar que até animais de estimação estavam na festa. A jovem Jéssica Alves Viana Lima, de 21 anos, aproveitou o evento para se reunir com a família e levou seus quatro filhotes de cachorro. “Gostei muito da iniciativa de fazer este evento, pois é uma oportunidade de nos reunir e de diversão para quem não foi viajar. Trouxemos os nossos cachorrinhos para o passeio familiar, pois não podíamos deixá-los de fora.”
Jéssica Alves Viana Lima, 21 anos
“Sou bacharel em educação física e me especializei em qualidade de vida. Nós conquistamos muitas coisas de uns anos para cá. Isso porque o Conselho Regional de Educação Física está cada vez mais forte, unindo a categoria, que está em alta nos dias de hoje. Muitas pessoas buscam pela saúde, e a orientação de profissionais de educação física é indispensável. Só espero mais incentivos do poder público, que não valoriza a educação da forma que deveria”
Pedro Rocha, 48 anos, professor, morador do Parque União
Na roda de samba do Vitória Régia, a reportagem encontrou quatro jovens que pertencem ao movimento “Black is Beautiful”. Greice Luiz, de 27 anos, faz parte do grupo e afirmou que o objetivo delas fazer com que os negros não tenham vergonha da etnia. “ Estamos aqui no Parque Vitória Régia para ajudar os negros a não terem vergonha. Por isso vendemos objetos que possam ‘levantar’ nossa raça, como brincos, camisetas, turbantes, faixas de cabelo.”
Greice Luiz, 27 anos
Veja vídeos:
