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Morre o ?poeta? engenheiro agrônomo

Por Marcus Liborio | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação/Álbum de família

José Rui de Carvalho deixa mulher, três filhos e dois netos

Uma das várias paixões de José Rui de Carvalho era a poesia. Culto, religioso e amante da literatura, costumava transcrever frases em seu caderno de anotações. No último registro antes do infarto fulminante, ele entregou sua vida a Deus, como se já estivesse prevendo a morte. (veja abaixo).  

Engenheiro agrônomo aposentado, José Rui morreu aos 75 anos na última quarta-feira, por volta do meio-dia, em sua casa, em Bauru, onde vivia com a mulher e filhos. “Um homem inteligente e culto. Nunca disse uma palavra que desagradasse alguém. Apesar de ser uma pessoa reservada, todos aprenderam com ele”, disse a esposa Eliane Aparecida Duarte de Carvalho, que viveu 28 anos ao lado dele. Juntos, tiveram dois filhos.

“Uma vez, a gente se separou, mas ele não deixou eu ir embora de casa. Éramos grandes amigos”, lembrou. José Rui, porém, foi casado antes. Desse matrimônio, veio o filho mais velho, hoje com 41 anos, que lhe deu dois netos.

Mineiro, nascido em Bocaiúva (MG), José Rui se dividia entre o Atlético Mineiro e a paixão pelo Corinthians. “Ele adorava esporte. O problema era quando os dois times jogavam um com o outro. Aí, quem ganhasse estava bom”, relembra Eliane, já com saudade.

José Rui começou sua vida profissional em Macatuba, em meados dos anos 1960, onde fundou o clube da cidade e trouxe também o Rotary Club para o município. Em Bauru, foi diretor da Divisão Regional Agrícola. Após se aposentar, porém, mantinha-se ativo e nunca negava um bom debate político.

“Outra paixão dele era a política. Entendia muito e sempre estava antenado. Ele acompanhou tudo sobre o mensalão”, disse Eliane. “Além disso, passeava com o cachorro, via diversos filmes e ouvia boa música , como jazz, MPB, blues”, completa.

Família

José Rui de Carvalho “vivia para a família”. Muito emocionada, a filha mais velha do relacionamento dele com Eliane, Carolina Nascimento Duarte de Carvalho, 22 anos, lembra do pai carinhoso e pronto para o que der e vier.

“Ele me apoiava em tudo e fazia questão de me esperar chegar da faculdade. A gente conversava muito e, entre os papos, sempre era mimada por ele”, recorda-se.

Além de Carolina, José Rui deixou Fábio Nascimento de Carvalho, 20 anos, o caçula da família. “Ele nunca brigou com a gente. Chamava a atenção, mas não chegava a discutir nem comigo e nem com o meu irmão. Um ótimo pai. Uma pessoa íntegra, correta e que colocava Deus acima de tudo”, contou Carolina.

O corpo foi velado no Terra Branca, em Bauru, e sepultado no Cemitério Municipal de Macatuba.


 

Infográfico JC

Na última mensagem que escreveu parecia prever o adeus

Na última frase que transcreveu, José Rui entregou vida a Deus

José Rui de Carvalho tinha o hábito da leitura. Além de ler grandes obras e a Bíblia Sagrada, gostava de escrever. Em um caderno, transcrevia frases que achava interessante e, inclusive, se lançava como poeta. “Eu estava olhando o caderninho dele e posso afirmar que era amante da poesia”, disse Eliane.

Em sua última anotação, José Rui escreveu uma oração do padre Pio de Pietrelcina, entregando seu passado, presente e futuro nas mãos de Deus, como se fosse uma despedida da vida na Terra, com tom de missão cumprida. 

“Entrego meu passado... à misericórdia de Deus. Entrego meu presente... à Graça de Deus. Entrego meu futuro... à Providência de Deus. E... Te deixo em paz a liberdade”.

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