Sem-teto ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) invadiram por volta da 0h30 deste sábado (3) um terreno particular de ao menos 150.000 m na esquina das ruas John Speers e Malmequer do Campo, próximo ao parque do Carmo, zona leste de São Paulo. Eles chegaram ao local em 17 ônibus e cerca de 50 carros.
Guilherme Boulos, militante do MTST, disse que cerca de mil famílias ocupam a área. Durante a madrugada, os sem-teto montaram barracos de madeira e bambu cobertos com lona plástica. Outros dormiam em colchões espalhados no chão, mesmo sem a cobertura da lona.
Alguns dos ocupantes entraram em contradição ao informar que "o local está abandonado há mais de 20 anos", mas que uma parte dele que está cimentada "vinha sendo usado como estacionamento pago". Moradores da região disseram que parte do terreno era utilizado também para jogar entulho.
"Bora trabalhar", dizia a sem-teto Patrícia Ledo, 26, enquanto tentava afastar do rosto a fumaça oriunda de pequenas fogueiras feitas em torno de alguns dos cerca de 80 barracos erguidos na ocupação.
"Quero uma casa para morar, não aguento mais pagar R$ 550 de aluguel", disse Patrícia. Ela mora num imóvel de dois cômodos no bairro Ermelino Matarazzo, próximo à região de Itaquera.
A sem-teto disse que não está inscrita em nenhum programa social de habitação popular, assim como outros ocupantes entrevistados pela reportagem. "Não confio nesses programas, tem gente que tem dez anos esperando casa e até hoje nada", disse.
Patrícia parecia ser uma exceção entre os integrantes da ocupação, pois a maioria era oriunda de outras invasões do movimento, como o da "Nova Palestina", na zona sul da cidade, onde Givaneide Gonçalves de Moraes, 36, tem um barraco há quatro meses. "Vim dar um apoio, só trouxe colchão e coberta", falou.
Segundo Michel dos Santos Santana, 22, da coordenação do MSTS, os sem-teto que são de outras ocupações vão ficar durante três dias. "Depois ficarão apenas os que querem uma casa aqui nesse local", afirmou Santana.
Michel disse que o movimento conseguiu junto a entidades beneficentes alimentos para 1.200 pessoas para três dias. Após este período, as pessoas que ficarem no acampamento vão levar ou fazer no local sua própria alimentação.
A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo informou que esteve no local e não conseguiu obter informações sobre se a área é pública ou particular.