Eles fugiram de uma solicitação de parada policial, trafegaram pelas principais avenidas de Bauru na contramão e causaram acidentes. Os “amigos fujões”, que causaram grande tumulto na cidade na noite de anteontem, prestaram depoimento na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru e foram liberados.
Dentro da legislação, a única infração que poderia resultar em prisão em flagrante seria a embriaguez ao volante, que, apensar de alguns sinais indicativos, foi descartada depois de exame clínico.
Conforme noticiado com exclusividade pelo JC na edição de ontem, era por volta das 23h da noite anterior, quando policiais militares passavam pela altura da quadra 8 da avenida Getúlio Vargas e avistaram o Escort de cor azul, conduzido pelo auxiliar de serviços gerais João Eduardo da Silva Aranha, 21 anos. Dentro do carro também estavam Alison Bruno Silva dos Anjos, 20 anos, Lucas Gabriel Rodrigues de Lima, 19 anos, e Abner Ferraz da Silva Lourenço, 21 anos.
Depois de fugirem por um trecho da rodovia Marechal Rondon, diversas ruas, avenidas principais - várias delas na contramão -, provocar o capotamento de um carro com duas ocupantes, fazer uma viatura da PM bater contra um outro veículo, o quarteto só parou depois de bater em uma árvore, na altura da quadra 53 da avenida Nações Unidas, e capotar o Escort.
Por quê?
De acordo com informações do boletim de ocorrência, o condutor afirmou que teria fugido porque a documentação do automóvel estaria vencida, o que não é verdade, segundo consta no registro policial.
O motorista João Eduardo foi convidado a fazer o teste do etilômetro, já que foi encontrada uma garrafa de vodca pela metade no interior do veículo, mas se negou. Todos os ocupantes, segundo policiais que atenderam a ocorrência, apresentavam sinais de embriaguez.
Contudo, na CPJ, o jovem condutor passou por exame clínico, que não teria constatado a embriaguez.
“Eles não cometeram crimes que são casos de prisão em flagrante, por isso não ficaram presos. Nenhum desses delitos é passível de prisão em flagrante, a não ser a condução do veículo em estado de embriaguez, mas não foi atestado pelo médico. Ele estava alcoolizado, mas não estava embriagado, segundo o médico”, explicou o delegado plantonista Milton Bassoto Júnior, que registrou a ocorrência.
O boletim de ocorrência foi elaborado pelos crimes de lesão corporal dolosa na direção de veículo automotor, desobediência, trafegar em velocidade incompatível e fuga do local do acidente.
O automóvel Escort foi apreendido pela PM. Além da garrafa de vodca, nada mais foi achado no carro. Os outros três outro ocupantes apenas foram relacionados como partes da ocorrência.
Todos os envolvidos passaram por atendimento médico e foram liberados, já que tiveram apenas ferimentos leves.
Garçom
Na quadra 23 da Gustavo Maciel, um Corsa capotou após desviar do quarteto que vinha na contramão. Um garçom que trabalhava perto do local tentou ajudar as vítimas e desobedeceu ordem policial, que recomendava pela espera do socorro.
O garçom teria chegado a agredir o policial, fato que foi registrado em termo circunstanciado (TC). Ele também foi ouvido e liberado.