O roteiro de visita à Fazenda São João tem um pré-requisito, o visitante tem que vestir roupas confortáveis e calçado bom para caminhar em piso irregular e molhado e estar disposto a contemplar a natureza. São muitos os atrativos, o último deles é um café fresco acompanhado de pão caseiro, queijo fresco fabricado com leite da própria propriedade rural e um bolo caipira que derrete na boca.
A visita começa no terreiro de café onde os monitores iniciam a conversa sobre a história do local. “A colheita do café era um evento porque gerava uma movimentação econômica. O dono da propriedade à época Vitor Guedini vinha para a festa. Era colhido no inverno. Da roça ele vinha para o terraço onde ficavam os grãos de café expostos ao sol para secar. Na fazenda São João, a quantidade de café colhido era grande por isso, eles construíram um secador no meio do terreirão. Era um tipo de ventilador de ar quente que agilizava o processo de secagem”, explica Marcelo Navarro Cardenuto.
Depois de seco, o café ia para um mini-vagão, na verdade um carrinho que descia pela gravidade e descarregava o produto dentro da tulha. “O café era transferido para as máquinas que cuidavam da seleção. Com peneiras e ar, ela separa, até hoje, os grãos pelo tamanho e pela densidade. O mesmo é de café produzia várias qualidades de café. Eles usavam a máquina para separar. E um conjunto de máquinas com um sistema de engrenagens que liberava o café sem o contato manual.”
Na primeira máquina, o café era separado dos galhos, pedras etc. Na segunda, as peneiras com movimento de vai e vem selecionava os grãos por tamanho. “Tem um ventilador para fazer com que o café menos denso suba e caia em determinada caixa. Depois de selecionado, o café era ensacado, pesado e ia direto para o Porto de Santos.”
Durante a caminhada ‘histórica’, o visitante vai conhecendo o passado da propriedade com os instrumentos de trabalho da época que remetem ao plantio e colheita manual. “São 400 alqueires onde hoje tem eucalipto. Conservamos as ferramentas para que o jovem visitante tenha uma visão do que era o campo no passado.”
No local exibirá filmes
A Fazenda São João em 1920 possuía uma usina hidrelétrica que gerava energia para toda a fazenda. As máquinas de selecionar e limpar o café, por exemplo, são elétricas e funcionam até hoje. As imagens da propriedade na atualidade e as antigas, assim como os filmes culturais da época, relacionados à “política café com leite” - rodízio de presidentes eleitos dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, os paulistas produtores de café e os mineiros de leite - terão um espaço garantido, quando mais três salas do museu serão ativadas, explica Luiz Paulo Domingues.
“Nosso museu está em formação. Temos que montar mais três salas onde vamos instalar um cinema, um espaço perspectivo e uma sala de memória. Será importante porque temos o turismo pedagógico e quando chove poderemos recolher os alunos na sala de cinema e exibir filmes da época.”
O espaço perspectivo será aos visitantes que queiram sentir cheiros e texturas de café, da terra e das folhas.