Política

PAC atrasa negociação de dívida

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Aceleridade no acerto da dívida milionária da Companhia de Habitação de Bauru (Cohab) sempre foi apontada como necessária pelo presidente Édison Gasparini Júnior. Em fevereiro deste ano, os vereadores aprovaram o parcelamento de R$ 372 milhões ao longo dos próximos 20 anos. Apesar disso, a proposta de negociação ainda não foi entregue à Secretaria do Tesouro Nacional, órgão responsável por analisar a capacidade e os limites de endividamento do município. O porquê disso? Salvar o PAC Pavimentação.

A informação partiu do líder do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), Renato Purini (PMDB), após questionamentos do líder da oposição, Lima Júnior (PSDB), e do vereador Moisés Rossi (PPS).

“Trabalhamos com esse problema desde fevereiro de 2013. Fizemos a nossa parte. Agora, o prefeito precisa responder por que ainda não enviou a proposta de negociação para o Tesouro? É uma questão de responsabilidade, que envolve o futuro de 400 mil pessoas Administrar a cidade não é brincar de Playmobil”, cutucou o tucano.

Logo em seguida, Purini confirmou as suspeitas de Lima Júnior, relacionando a morosidade no processo da Cohab com a ânsia do prefeito em garantir o asfalto para 824 quadras de terra.

A matemática é simples: o Poder Executivo não pode contrair em um ano dívida superior a 38% de sua Receita Corrente Líquida (RCL) – há quem entenda que esse limite seja de 16%.

Dessa forma, caso o Tesouro Nacional se deparasse com a impactante dívida da Cohab, barraria o PAC Pavimentação, que exige o empréstimo de R$ 43 milhões com taxa de juros de 9% ao ano.

“Dá para entender o dilema do gestor [referindo-se ao prefeito]. Ele quer resolver o déficit de asfalto e oferecer dignidade às pessoas. Ao mesmo tempo, o Júnior [presidente da Cohab] tem essa obrigação de sanar a dívida”, admitiu Purini.

O vereador peemedebista considera razoável que o município garanta a aprovação do PAC para, posteriormente, resolver o que for possível na companhia de habitação.

Risco

A negociação da dívida da Cohab exigirá do município o desembolso de R$ 2.081.291,29 ao mês. A proposta é de que R$ 1.514.425,97 sejam pagos pelo órgão responsável pelos contratos que causaram o rombo; e outros R$ 580 mil pela prefeitura, totalizando R$ 6.960.000,00 por ano que sairão dos cofres públicos e de investimentos para demandas sociais.

Apesar de ingrata, a negociação se faz necessária. Além da taxa de juros reduzida e do prazo estendido, o presidente da Cohab, Édison Gasparini Júnior, pontua que o município se beneficiará das isenções das taxas de impontualidade, que equivalem a R$ 103,8 milhões referente aos débitos junto FGTS e outros R$ 23 milhões relativos a seguros. O montante da dívida poderia ultrapassar os R$ 499 milhões sem esses descontos.

A maior parte dos débitos já venceu e a execução judicial – suspensa em função das tentativas de negociação – inviabilizaria o município.

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