Excelente a reportagem do JC sobre a institucionalização do racismo no Brasil, com o dr. Ivair Santos. Cada vez que participo do censo, pasmo diante do fato de o IBGE usar as terminologias raça e cor, ao invés de etnia e usar os termos amarelo e pardo/preto, para referir-se aos nipônicos e afro-descendentes, respectivamente.
Lembro-me que aprendi na escola que o Brasil tinha 4 raças distintas: brancos, vermelho (indígenas), amarelos (japonês) e pretos (negros). Não sei se ainda ensinam isso para nossas crianças ? espero que não. Chamar um japonês de amarelo, um indígena de vermelho ou um afro-descendente de preto, parece-me absolutamente inadequado. Tal como, chamar uma pessoa com necessidade especial de aleijado ou retardado, ou chamar um homossexual de bicha ou sapatão.
Se o próprio IBGE faz uso de termos depreciativos, fica muito difícil exigir uma conduta diferente por parte da população. Particularmente, penso que se o Brasil fosse um país sério, o IBGE jamais usaria esse tipo de nomenclatura. A meu ver, o IBGE presta um desserviço quando usa esses termos. Como mudar isso? Não faço a menor ideia.
Gizele Regina Miranda dos Santos