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A antiga e grande demanda por áreas para instalação de empresas em Bauru está longe de ser sanada. Após alguns imbróglios, o governo promete a inauguração do Distrito Industrial 4 para o mês de agosto, durante os festejos do aniversário da cidade. Ainda assim, a fila de empreendedores que buscam se instalar ou ampliar seus negócios no município permanecerá, quantitativamente, a mesma de um ano atrás.
Em maio de 2013, o Jornal da Cidade revelou que 120 empresas aguardavam a liberação de áreas públicas. O número era duas vezes maior que em 2012; e continuou crescendo ao longo dos últimos doze meses.
Hoje, já são 160, de acordo com a Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico. A demanda mais recente – de 40 novas empresas – é equivalente à capacidade máxima do novo distrito, que deve ser atingida até janeiro de 2015.
A falta de áreas industriais em Bauru foi explorada por adversários de Rodrigo Agostinho (PMDB) na última campanha. Como resposta, durante o processo eleitoral, o prefeito enviou à Câmara Municipal o projeto da lei que transformou os antigos lotes urbanizados no novo distrito, próximo ao Mary Dota.
À época, havia espantoso processo de migração de empresas para outras cidades da região. Secretário do Desenvolvimento, Arnaldo Ribeiro reconhece o déficit de áreas destinadas à expansão industrial, mas garante que esse “fenômeno” já foi estancado.
“Podemos dizer isso com tranquilidade, graças ao trabalho de peregrinação que temos feito junto aos empreendedores, conversando e buscando alternativas”, pontua.
Perfil
A fila de espera por áreas distritais é composta, essencialmente, por empresas de pequeno e médio porte. A maioria delas já atua em Bauru, mas precisa ampliar suas instalações ou sair da área da urbana.
Arnaldo Ribeiro conta que, diariamente, recebe empresários na prefeitura para discutir esse tipo de demanda.
“Alguns deles já podem aumentar a produção, têm potencial de mercado, mas não têm espaço. Outros sofrem com reclamações de vizinhos por conta do tráfego de caminhões e de poluição sonora, e acabam sendo multados pela Secretaria de Planejamento”, explica.
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Empresas vão criar mais 301 empregos em novas instalações
Prometidas para 2013, as primeiras concessões de áreas do Distrito Industrial 4 acontecerão em agosto, embora ainda dependam de autorização legislativa. Serão contempladas 14 empresas que, hoje, oferecem 262 postos de trabalho. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico informa que, após a instalação nos novos terrenos, esse número chegará a 563.
Na lista, há empreendimentos de 11 ramos diferentes (veja infográfico). Um deles, que fabrica painéis, triplicará a quantidade de postos de trabalho. Atualmente, são 10 vagas disponíveis e mais 20 serão criadas. Outro, injetor de plástico, ampliará de sete para 25.
As áreas que serão concedidas possuem de 1.000 a 2.200 metros quadrados. O secretário Arnaldo Ribeiro explica que, para a viabilização do distrito, foi necessária a unificação de lotes.
Zoneamento
“Eles tinham cerca de 300 metros quadrados, insuficientes para as empresas. Esse foi um dos fatores que consumiu tempo para a concretização do nosso projeto”, argumenta o secretário.
Além disso, o município recorreu ao Poder Judiciário para alterar o tipo de zoneamento dos lotes urbanizados na matrícula dos imóveis, inicialmente destinados a fins residenciais.
Arnaldo ressalta que este será o primeiro distrito a ser entregue integralmente regularizado. “As empresas também já receberão as áreas com rede de energia, de água e esgoto, e asfalto”, observa.
Segundo o secretário, durante a segunda quinzena de maio, o município promoverá um encontro para reunir os empresários contemplados e representantes dos órgãos do poder público para que todos os detalhes sejam explanados.
Já os projetos de concessão serão remetidos ao Poder Legislativo assim que a Secretaria do Planejamento emitir as certidões dos lotes.
Grandes
Para receber grandes empresas, em longo prazo, a Prefeitura de Bauru aposta no loteamento da gleba de 750 mil metros quadrados – equivalente a 75 campos de futebol -, que ladeia os lotes urbanizados.
Arnaldo Ribeiro afirma que as diretrizes para parcelamento, licenciamento e regularização da área já foram solicitadas. “Depois que tivermos isso, vamos mobilizar as secretarias do Planejamento, Meio Ambiente e Obras, além de articular politicamente a viabilização dessa ideia”, diz o secretário do Desenvolvimento Econômico.
Reportagem do JC de julho de 2013 mostrou que as empresas de grande porte consideram secundários os incentivos fiscais – a prefeitura já dispõe de leis com esse intuito – e até a disponibilização de áreas distritais.
Para os investidores, são decisivos os critérios estruturais, tais como as condições do transporte público, creches, escolas, tratamento de esgoto, atuação de sindicatos e mão de obra qualificada, bem como o potencial mercado consumidor.
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, acredita que, dentro de dez anos, um número maior de grandes empresas, inclusive multinacionais, passará a se instalar em Bauru. De acordo com ele, este movimento ocorrerá quando houver esgotamento da região situada no eixo Campinas-Jundiaí-Sorocaba.

