Sem citar diretamente a crise entre Rússia e Ucrânia, o ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) criticou, hoje, a adoção de sanções que, segundo ele, "muitas vezes não resolvem o problema".
Em ação articulada com países europeus, os Estados Unidos já adotaram punições financeiras a companhias e indivíduos próximos ao presidente russo, Vladimir Putin, e ameaçam sanções mais duras sobre o comércio, energia e equipamentos militares. As medidas seriam uma resposta ao descumprimento por parte da Rússia de acordo de paz assinado com a Ucrânia.
"Não queremos ver uma espiral de sanções contra sanções que não se amparam na carta da ONU e que muitas vezes não resolvem o problema", disse o chanceler em audiência pública na Câmara dos Deputados. A reunião é acompanhada pelo embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko.
Durante sua fala, o chanceler brasileiro defendeu ainda a "liberdade de manifestação" de populações e sua opinião expressa em eleições -a Ucrânia passa por uma eleição presidencial no dia 25 deste mês.
"Outro desafio importante é a manifestação por liberdade e o respeito a essa liberdade de manifestação. Um respeito no sentido mais amplo, que passa por ouvir e reagir adequadamente à manifestação legitima da população", afirmou.
Copa
Figueiredo abordou, novamente, a "configuração anacrônica" de organismos internacionais, como o conselho de segurança das Nações Unidas e o Fundo Monetário Internacional e apontou a prioridade da política externa brasileira de estabelecer laços com países da América do Sul, sem prejuízo ao contato com países desenvolvidos.
"A ênfase que temos dado ao relacionamento com países emergentes de maneira nenhuma diminui a intensidade do nosso relacionamento com os países desenvolvidos ou a prioridade que damos aos países desenvolvidos", afirmou.
O chanceler destacou ainda a atuação do Itamaraty durante os jogos da Copa do Mundo, agendada para o próximo mês. O ministério estará em regime de plantão em centros instalados pelo governo federal nas cidades-sede para atender os turistas.
"A ideia é que haja sempre um ponto de contato do Itamaraty nessas cidades para servir como elo entre as delegações e o governo, entre as unidades de apoio consular dos outros países que aqui estiverem com o governo, para agilizar a tomada de providências em caso de necessidade."