Internacional

Rússia diz recuar tropas de fronteira

Reuters
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O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ontem aos chamados separatistas pró-Moscou da Ucrânia que adiem uma votação sobre o desmembramento do país, a apenas cinco dias de sua realização, potencialmente recuando de uma iminente fragmentação da Ucrânia.

O ato foi o primeiro sinal dado pelo líder do Kremlin de que não endossaria o referendo planejado para domingo por rebeldes pró-Rússia em busca da independência de duas províncias que somam 6,5 milhões de habitantes e cerca de um terço da produção industrial ucraniana.

No que parece ser um avanço na pior crise entre potências orientais e ocidentais desde a guerra fria, Putin também anunciou estar recuando as tropas russas estacionadas perto da fronteira com a Ucrânia.

No entanto, um alto funcionário da Otan disse que a aliança não identificou nenhum sinal de uma retirada russa da fronteira, para onde Moscou enviou dezenas de milhares de soldados, proclamando o direito de invadir a Ucrânia para proteger a população russófona.

“Nós pedimos aos representantes do sudeste ucraniano, os apoiadores da federalização do país, que adiem o referendo marcado para 11 de maio”, disse Putin.

Ele disse que criaria condições para um diálogo entre as autoridades ucranianas em Kiev e os separatistas.

“Sempre nos dizem que nossas forças na fronteira ucraniana são uma preocupação. Nós as retiramos. Hoje elas não se encontram na fronteira ucraniana, estão em locais onde conduzem suas atividades regulares em campos de treinamento”, disse Putin.


Brasil é contra sanções dos EUA e da UE

Sem citar diretamente a crise entre Rússia e Ucrânia, o ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) criticou, ontem, a adoção de sanções que, segundo ele, “muitas vezes não resolvem o problema”.

Em ação articulada com países europeus, os Estados Unidos já adotaram punições financeiras a companhias e indivíduos próximos ao presidente russo, Vladimir Putin, e ameaçam sanções mais duras sobre o comércio, energia e equipamentos militares. As medidas seriam uma resposta ao descumprimento por parte da Rússia de acordo de paz assinado com a Ucrânia.

“Não queremos ver uma espiral de sanções contra sanções que não se amparam na carta da ONU e que muitas vezes não resolvem o problema”, disse o chanceler em audiência pública na Câmara dos Deputados. A reunião é acompanhada pelo embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko.


Assembleia popular

Um líder separatista pró-Rússia disse que os dissidentes levariam o pedido de Putin sobre o adiamento do referendo a uma reunião na quinta-feira de sua autoproclamada Assembleia Popular. “Temos o maior respeito pelo presidente Putin. Se ele considera isso necessário, nós claro que vamos debater (o pedido)”, disse Denis Pushilin em Donetsk, cidade de 1 milhão de habitantes que os rebeldes proclamaram capital da chamada “República Popular de Donetsk” independente. Moradores em áreas controladas por rebeldes pró-Moscou ficaram surpresos com as declarações de Putin no momento em que a região parecia correr em direção a uma inevitável independência e depois de uma semana sangrenta ter esquentado ao máximo os ânimos contra o governo central, de Kiev.

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