Quioshi Goto |
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Karen Bazzeo: “Quis criar algo interativo, para que as pessoas tivessem uma sensação positiva” |
Ruas de Bauru ganharam um colorido diferente nesta semana. Em pontos diferentes, árvores foram tomadas pela yarn bombing, arte que utiliza tramas de tricô ou crochê para modificar a paisagem urbana e provocar os sentidos de quem as vê.
A iniciativa, já bastante difundida nos grandes centros urbanos de vários países do mundo, foi uma ação consolidada na cidade pelas mãos da designer Karen Bazzeo, 28 anos. Bauruense, ela vive há quatro anos em São Paulo e, na última semana, voltou à Cidade Sem Limites para descansar na casa dos pais.
“Sempre fiz crochê em casa e, como já vinha acompanhando este movimento ao redor do mundo, decidi trazer estas intervenções para Bauru. Escolhi os lugares com os quais eu tenho uma grande relação afetiva”, conta.
Os pontos selecionados para ganhar as tramas de lã colorida foram a avenida Getúlio Vargas, próximo à copaíba, as imediações da Universidade Sagrado Coração (USC) e a rua Gustavo Maciel, em frente à editora Alto Astral. Ainda ontem, Karen pretendia instalar sua arte, também, em frente ao Serviço Social do Comércio (Sesc).
A técnica do yarn bombing (bombardeio de fios, numa tradução livre) foi criada oficialmente nos anos 2000, nos Estados Unidos, embora existam relatos de sua presença no país já na década de 1990. Em Bauru, além de trazer cor e aconchego para seus conterrâneos por meio da lã que cobriu o caule das árvores, a designer decidiu inovar e pendurou corações de crochê e tricô para serem levados por quem passasse pelo local.
“Em cada ponto, coloquei uma plaquinha dizendo: pegue um coração. Quis criar algo interativo, para que as pessoas tivessem uma sensação maior de prazer ou bem-querer”, revela. A jovem conta que teceu as peças sozinha, em casa, e contou com a ajuda de uma amiga para instalá-las, entre anteontem e ontem.
Surpresa
A novidade foi percebida rapidamente e causou surpresa aos pedestres que passaram pelos locais escolhidos pela designer. Quando chegou ao trabalho, na manhã de ontem, a recepcionista Alexandra Rossato, 32 anos, percebeu uma grande movimentação em frente ao estabelecimento onde trabalha, na rua Gustavo Maciel.
“Foi quando percebi a árvore decorada. Esperei dar meu horário de almoço e também fui lá, pegar um coraçãozinho para mim. Achei fofo”, comenta. Na mesma rua, a gerente de uma pet shop foi acompanhar uma cliente até o carro e também voltou para a loja com um dos corações.
“Tinha visto de longe, mas não tinha entendido o que era. Quando vi de perto, achei muito carinhoso. As relações humanas, hoje em dia, andam tão frias. As pessoas, tão intolerantes, que achei a atitude de uma delicadeza... Foi bonito de ver”, comenta.
