Quando foi nomeado para a Diocese de Bauru, em 2009, o bispo e frade franciscano dom Caetano Ferrari nunca poderia imaginar que caberia a ele conduzir a festividade que vai marcar os 50 anos da existência dessa Diocese. “Foi uma grande surpresa quando fui avisado de que teríamos essa data importante”.
A comemoração do Jubileu de Ouro será no próximo domingo, no estádio do Noroeste, quando 16 mil pessoas são esperadas para a missa que será celebrada pelo núncio apostólico do Brasil, dom Giovanni D’Aniello. Haverá ainda apresentação do padre- cantor Reginaldo Manzotti e um show pirotécnico semelhante aos de Réveillon em Copacabana.
João Rosan |
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Dom Caetano: “Foram três anos de preparação do evento” |
Dom Caetano Ferrari confessa que está difícil conter a ansiedade. Mesmo sabendo que não há motivos para se preocupar, “foram três anos de preparação do evento e a equipe é muito competente, e temos também a inspiração do Divino Espírito Santo”. O bispo confessa que está difícil conter a emoção.
“Tenho o meu lado italiano, muito emotivo. Sou perfeccionista, afinal, queremos que seja um marco para a vida religiosa de todos os católicos. Mas o sentimento que me invade agora também é de paz, alegria, penso: ‘que bom que a hora está chegando!’”, sintetiza.
Oração e Ação
Além de Dom Giovanni D’Aniello, também confirmou presença do vice-presidente da CNBB (região Sul1 que equivale ao Estado de São Paulo), dom Moacir Silva, arcebispo da Arquidiocese de Ribeirão Preto; o bispo Luis Antonio Guedes, que inclusive respondeu pela Diocese daqui, e é esperada fora da esfera eclesiástica a presença do governador Geraldo Alckmin.
Mas o momento não será só de festa. Dom Caetano Ferrari lembra que a cerimônia é o ponto impulsionador de uma nova fase “no sentido de a gente conseguir alcançar uma renovação maior na Igreja, um outro patamar, através de três pontos que são a Oração, a Missão e a Ação”.
Ele salienta também que é preciso que o catolicismo fique atento e minimize a dor dos “sofredores”. “Já não se fala mais em ajudar os pobres, isso também, mas nos dias de hoje o que existem são sofredores (em todos os níveis e classes sociais) e temos que diminuir isso com oração, com o poder do Espírito Santo” e no quesito ação. Não há mais a caridade pura e simples no sentido de dar esmola. “O que se faz hoje em dia é praticar a solidariedade, a busca do bem, da promoção da vida.”
Plano Diocesano
A Igreja Católica Apostólica Romana vive um bom momento de reavivação da fé, de renovação, com o Papa Francisco. “Foi uma ação do Espírito Santo, no momento certo, a renúncia de Bento naquela hora, porque se fosse dois ou três anos após já teria tirado Francisco do páreo”, acredita dom Caetano Ferrari. Mesmo assim, “mesmo nos empenhando em rezar mais, evangelizar melhor e ajudar os sofredores, há muito o que se fazer, por isso será lançado nesta festividade o Plano Diocesano de Pastoral”.
Dentro desse plano há quatro metas: a renovação das paróquias, a pastoral da família, da juventude e da ação social. A ideia é atuar ativamente, nas quatro frentes, sem ordem de importância e nem de cronologia. Os quatro programas serão igualmente priorizados e implantados.
Quem é o núncio apostólico no Brasil
O núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello, que a comunidade católica receberá na próxima sexta-feira foi nomeado em 10 de fevereiro de 2012 pelo papa Bento XVI, sem substituição a dom Lorenzo Baldisseri. O cargo de núncio apostólico equivale ao de um representante diplomático perante a Santa Sé, em Roma. Ele exerce o posto de embaixador diante dos estados, de algumas organizações internacionais e ainda da Igreja de todo o País. No Brasil, é responsável por 275 circunscrições eclesiásticas, para as quais deve providenciar bispos quando estão vacantes.
Italiano nato
Natural de Aversa, na Itália, dom Giovanni D’Aniello nasceu no dia 5 de janeiro de 1955. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em dezembro de 1978 e a episcopal em janeiro de 2002, sendo sagrado bispo pelo papa João Paulo II.
Doutor em direito canônico, ingressou no Serviço Diplomático da Santa Sé em 1983, tendo desempenhado a sua atividade junto às representações pontifícias do Burundi, Tailândia, Líbano, Brasil e seção para as relações com os Estados da Secretaria de Estado, no Vaticano.
Foi nomeado núncio apostólico na República Democrática do Congo, em 2001, e em 2010 transferido para a Tailândia e Camboja. Atuou também como arcebispo de Paestum e delegado apostólico no Laos e em Myanmar.
Como autoridade máxima da Igreja, vai receber o título de hóspede oficial do município já na sexta-feira, quando desembarcar com sua comitiva, às 16h. Cumprirá até a manhã de segunda-feira uma extensa programação na cidade.
Convite
Todos os párocos das igrejas estarão presentes ao evento. Haverá, inclusive, a partir das 14h do domingo, já no estádio do Noroeste, a entrada oficial das imagens dos padroeiros das 41 paróquias. O estádio Alfredo de Castilho tem capacidade para 16 mil pessoas: “Renovo o convite ao nosso povo católico para que permaneça firme e perseverante na oração e nas atividades pastorais e sociais a serviço da vida, louvando e agradecendo a Deus por todas as bênçãos que a Diocese recebeu nesses 50 anos de história e vida”, destaca dom Caetano Ferrari, bispo diocesano de Bauru.
Como nasceu a liderança de Bauru
Ao se tornar município em 1896, Bauru já possuía sua primeira capela, construída em 1894, onde hoje é a Praça Rui Barbosa. Em 1897 é criada a Paróquia do Divino Espírito Santo, ligada à Diocese de São Paulo. Quando Botucatu passa a ser Diocese, em 1908, abrange a cidade de Bauru.
No ano de 1913, a capela foi demolida e somente em 1926 é inaugurado o novo templo dedicado ao Espírito Santo. Com o crescimento do município, é criada a Paróquia de São Benedito, na Vila Falcão, em 1944, e formam-se as paróquias Nossa Senhora Aparecida, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santo Antônio, em 1952.
Quando, em 1958, Botucatu se torna Arquidiocese, a matriz do Divino passa a ser preparada para tornar-se Catedral. O professor, historiador Emilio Primolan conta que as primeiras terras para a criação do patrimônio de Bauru foram doadas em nome de São Sebastião e do Divino Espírito Santo. E o Espírito Santo prevaleceu sobre o santo, dando nome à primeira capela e, mais tarde, à paróquia.
“Entre 1897, ano da criação da paróquia de Bauru, e 1901, foram nomeados para Bauru seis párocos. Entretanto, nenhum deles se estabeleceu de forma prolongada. Bauru ficava distante de São Paulo, sede da Diocese. As dificuldades eram inúmeras”, aponta o professor.
A criação
No dia 15 de fevereiro de 1964 é criada a Diocese de Bauru, a partir do desmembramento da Arquidiocese de Botucatu e da Diocese de Lins e em 17 de maio do mesmo ano ocorre a instalação definitiva. Seu primeiro bispo: dom Vicente Ângelo José Marchetti Zioni.
A diocese é um território pastoral e administrativo da Igreja Católica Apostólica Romana e possibilita maior desenvolvimento, proximidade entre o bispo e a comunidade, criação de paróquias e ampliação do atendimento ao povo, entre outros benefícios.
Números da Diocese na região
14 municípios: Bauru, Agudos, Arealva, Avaí, Boraceia, Cabrália Paulista, Duartina, Fernão, Gália, Icanga, Paulistânia, Pederneiras e Piratininga.
Quatro distritos: Santelmo (Boraceia), Guaianás (Pederneiras), Domélia (Paulistânia) e Tibiriçá (Bauru).
População: cerca de 514 mil pessoas (IBGE 2013) em 41 paróquias (26 somente em Bauru) e 124 capelas
Sacerdotes: 42 padres diocesanos e 15 padres religiosos atuando nas paróquias, além de 12 freis franciscanos no Seminário Santo Antônio, de Agudos; um padre em missão no Tocantins e um padre cursando doutorado nos Estados Unidos.
Diáconos: cinco diáconos permanentes (homens casados que fazem parte do clero) e um diácono transitório (que será ordenado padre).
Seminaristas: 19 jovens entre o seminário diocesano e os provinciais (faculdades de Filosofia e Teologia em Marília); três deles concluíram os estudos e podem ser ordenados diáconos ainda esse ano e sacerdotes em 2015.
Religiosos: seis congregações masculinas (Ordem dos Frades Menores - franciscanos; Companhia de Maria - marianistas; Missionários do Sagrado Coração; Rogacionistas do Coração de Jesus; Irmãos do Sagrado Coração; e Missionários Inacianos) e três femininas (Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus; Monjas Concepcionistas Franciscanas Contemplativas; e Religiosas do Sagrado Coração de Jesus).
Fatos marcantes
Até 1909 o catolicismo em Bauru era do tipo popular, ou seja, comandado pelos leigos. Ao sacerdote cabia somente presidir a celebração dos sacramentos. As festas dos santos, procissões, rezas do terço e quermesses animavam a vida religiosa que era inseparável da vida social. A paróquia de Bauru desde sua criação pertenceu à diocese de São Paulo.
Entre 1913 e 1952, a cidade de Bauru foi administrada pelos sacerdotes dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus. Naquele ano foram criadas as paróquias de Santa Terezinha e N. Senhora Aparecida. Estas permaneceram aos cuidados dos MSC e a Matriz do Divino foi devolvida, depois de 39 anos ao clero.
Bispos
Dom Vicente Ângelo Marchetti Zioni; dom Cândido Padin; dom Aloysio José Leal Penna; dom Luiz Antonio Guedes e dom Caetano Ferrari.