Ela pensa na moda de uma maneira diferente. Para Drika Valério, moda significa inclusão. É com esse pensamento que a bauruense representará São Paulo, entre 19 e 24 de maio, na Feira da Economia Solidária e Criativa, ponto alto da tradicional Teia Nacional da Diversidade.
A Teia é uma ação desenvolvida pelo Ministério da Cultura anualmente como forma de incentivar os pontos de cultura e ações existentes em todo País e, acima de tudo, valorizar projetos que incentivam e valorizam as minorias. Em todo o Brasil, existem mais de 4 mil pontos de cultura que realizam ações de impacto sociocultural nas comunidades.
São movimentos indígenas, grupos de artes cênicas, artesanato e cinema, todos voltados para a inclusão social. O ponto alto dessa ação é uma feira anual onde os melhores projetos são apresentados. Este ano, a Feira da Economia Solidária e Criativa acontece em Natal, no Rio Grande do Norte.
E, representando o Estado de São Paulo, estará Drika Valério, especialista em moda inclusiva para deficientes físicos. Não é pouca coisa se considerarmos que, na seleção, são contemplados apenas dois trabalhos por Estado.
“A novidade é que, no espaço que vou ter, levarei junto comigo artistas de Bauru e região pra mostrar nosso trabalho e potencial por aí”, comemora a estilista Drika Valério.
E são esperadas 3 mil pessoas para conhecer o que está sendo feito de norte a sul do País.
Vários prêmios
Sem falsa modéstia, ganhar prêmios começa a se tornar uma constante na vida dessa jovem de 27 anos. Isso com um vestido de noiva desenvolvido com tecnologia especial para cadeirantes (leia mais ao lado).
De dois anos para cá, ela já ganhou, entre outros, o FazINOVA - uma bolsa de estudos por ter ficado entre os dez melhores estilistas do País. Ganhou ainda o 1º lugar no 4º Concurso de Moda Inclusiva em novembro de 2012, com divulgação internacional no Trend Experience e convite para dar palestra no evento Noiva Mais, em Macaé (RJ).
E em novembro passado, seu projeto foi eleito o melhor da mostra de design sustentável no Paraty Eco Fashion.
Este ano, a atuação de Drika foi ampliada. Criadora ao lado de amigos da rede “STN - Somos Todos Nós”, ela conseguiu um espaço para todos mostrarem os projetos de tecnologia assistiva.
“A tecnologia assistiva entra quando se tem um produto e ele é adaptado para pessoas com deficiência. Por exemplo, um talher que não pode ser manuseado por quem sofre de alguma deficiência que dificulta os movimentos. Não tendo o movimento de ‘pega’ os faz segurar objetos, assim, desenvolvendo um apoio que encaixe no objeto e na mão de quem irá manuseá-lo”, explica.
Drika acha positivas tais criações, mas acrescenta que, “se todos os produtos fossem projetados com estas duas bases, pensando no universal e no específico, não haveria necessidade de adaptá-los”.
Ser do bem
E é justamente esse trabalho comunitário do movimento STN - Somos Todos Nós - que Drika mostrará em Natal. “Sempre acreditei nos talentos que temos aqui em Bauru, então, resolvemos levar junto com a STN artistas locais, que irão na bagagem”, brinca.
Vestido de noiva premiado
Um vestido de noiva especial. A roupa foi dividida estrategicamente em saia e corpete. Para facilitar, a saia tem a base de elástico, possibilitando vestir tamanhos diferentes, e o corpete, regulável atrás, acompanha o mesmo raciocínio da saia.
“O corpete possui botões de pressão na parte superior, onde o próprio usuário pode customizar o vestido de acordo com o seu gosto ou necessidade, com uma alça assimétrica que será sempre estampada, com a opção de poder retirar a alça”, explica.
E uma faixa com a mesma estampa da alça pode ser colocada na cintura, com um laço. Mas o grande diferencial está na saia, que possui sistema de regulagem para que a própria cadeirante decida o comprimento do vestido. O mesmo princípio vale para quem usa muletas.
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Divulgação |
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Um dos trabalhados mais premiados da estilista é um vestido especial adaptado para noivas portadoras de deficiência |
