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Um domingo pelo elo fundamental da família

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O alimento da renovação da celebração da família esteve presente ontem por diferentes pontos da cidade. Muitos enfrentaram fila na maior parte dos restaurantes e quem não reservou mesa teve de esperar um bom tempo. Mas não importa. O domingo do Dia das Mães cumpriu o necessário ritual de amor e convivência no dia dedicado especialmente a quem responde pela gestação da vida.

 

Em cada prato, gesto, a presença do elo fundamental. A família Teixeira esteve em restaurante na Vila Giunta em três gerações desse cordão umbilical que nunca se rompe. A avó Angela Teixeira (73 anos) estava radiante, ao lado da filha Cristiane Teixeira Kerr (46) e das netas Marcela Kerr B. Bianchi (13) e Melina Kerr B. Bianchi (16).

 

Antes do almoço, cada uma foi convidada a oferecer uma frase para definir os laços com sua genitora. Cristiane disparou: “honestidade”, para o sorriso confortante de Angela. Suas filhas (e netas) lançaram: “Confiança“ (Marcela); “Lealdade” (Melina). 

 

Para Angela, a relação de avó-neta é mais desprovida de obrigações. “Eu posso ser mais livre, não dizer tantos nãos e não carrego o mesmo peso de responsabilidade que minha filha em relação às netas”, contou novamente com o sorriso no rosto. A filha Cristiane confessou que é mais benevolente com suas crias do que dona Angela o fora com ela. 

 

“Questão natural de tempos, modos de vida e de relação com o mundo”, opinou. A avó ponderou que teve de se separar dos pais logo aos 15 anos. “Questão de sobrevivência na época”, contou. Cristiane levantou outro ponto: “Eu casei com 29 anos, minha mãe casou com 26 anos. Se puder sugerir, direi a minhas filhas que casem após a estabilidade estar conquistada”, lança.

 

O fato é que o elo fundamental todo tempo se repete. Nara Paini olhava atentamente as brincadeiras de Ciro (8 anos), Natsha (6) e Henrique (2) nos equipamentos. “É difícil cuidar de três. Mas é uma delícia. Eu adoro e eu quis três filhos”, confessa.

 

Para sempre

 

Em outra mesa, Kirlian Fonseca bem que tentou chamar o pequeno Leonardo para uma foto para a matéria. Mas o garotinho estava tão envolvido com o playground que relutou. A mãe fez um apelo compreensível: “Filho, mas é foto para o Dia das Mães! Vem?”. Léo abriu aquele sorriso com misto de tímido e peraltice e balançou a cabeça com um “não”.

 

“Como assim menino?”, interveio prontamente o pai em defesa da foto. O reforço ajudou e lá estava, segundos após, Leonardo no colo da genitora. O elo fundamental faz maravilhas...

 

Dez minutos depois, o garoto estava, em pé, recebendo na boca o almoço das mãos da mãe Kirlian. No futuro, o elo de amor pode pedir a Léo que faça o mesmo gesto, mas de sua parte. Ele é quem poderá ter de alimentar os pais, já cansados pelo tempo, quando o rito de passagem estiver “armazenando” forças para o encontro com outra dimensão.   

 

Em outro lugar, na entrada do Cemitério da Saudade, em companhia da filha Maria Conceição Silva, Lucila Guedes Martins caminhava em direção ao túmulo de sua mãe Jovita Guedes Martins. “Eu ajudei bastante minha mãe em casa, porque era filha quase do meio, de nove que ela teve. Eu ajudava a cuidar dos irmãos”, comentou. A filha considera a visita fundamental. “Hoje muitos filhos não visitam seus pais nem em vida. Deixam de agradecer. Hoje é um dia especial. Minha mãe vem homenagear minha avó, e eu, as duas. É a vida”, finalizou. 

 

E o elo fundamental estava, um a um, sendo refeito. Dia das Mães é assim. Ou deveria ser, todos os dias!             

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