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Mesmo com plataforma atrasada, produção de Petróleo crescerá 7,5%, diz Petrobras

Por Pedro Soares | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar do atraso médio de cinco meses na entrega de novas plataformas, a presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a estatal irá cumprir sua meta de aumento de produção de petróleo neste ano de 7,5%, com intervalo de dois pontos para cima ou para baixo.

A executiva disse que, na maior parte dos casos, a demora decorre dos estaleiros, e não de projeto -algo restrito à P-50, na qual o atraso já chega a um ano em decorrência de mudanças no projeto.

"Claro que cinco meses é ruim. Quanto mais cedo [iniciar a produção], melhor. Mas não foge [o atraso] às métricas [padrão] internacionais", disse Foster, em conferência com analistas.

Segundo a presidente da Petrobras, houve uma grande evolução da produção da petróleo de fevereiro a maio deste ano, com a interligação de poços de alta produtividade às plataformas, que adicionaram cerca de 120 mil barris/dia em áreas de alto potencial.

Eficiência e Custos

Foster destacou ainda que a produção avançou na bacia de Campos -uma área já madura- por conta da melhora da eficiência, que atingiu a marca de 81%, a maior em 46 meses.

A bacia, a mais produtiva do país, sofria com o rápido esgotamento de suas reservas diante de problemas operacionais. Assim que assumiu, Foster lançou um programa de eficiência operacional com foco na bacia de Campos.

Segundo a presidente da estatal, programas de melhoras operacionais, de redução de custo e de otimização geraram um resultado positivo de R$ 3,1 bilhão para a companhia.

"Se não fossem esses programas, o lucro da companhia seria menor."

A Petrobras lucrou R$ 5,393 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 30% menos que em igual período de 2013.

A menor produção de petróleo, a provisão bilionária para o programa de demissão voluntária e o crescente prejuízo na área de abastecimento foram os grandes vilões do balanço da estatal.

Pasadena

A presidente da Petrobras ressaltou ainda o desempenho da refinaria de Pasadena, nos EUA -sobre a qual pesam suspeitas em relação ao custo de aquisição e aos termos do negócio.

O bom desempenho da unidade ajudou, diz, a reduzir o custo global de todas as unidades de refino em 18%. A refinaria nos EUA produziu 103 mil barris/dia no primeiro trimestre.

Demissões

Segundo Foster, 60% dos 8,3 mil empregados que aderiam ao programa de demissões incentivadas da Petrobras serão repostos, com foco naqueles que trabalham nas áreas operacionais da companhia. A executiva não fixou um prazo.

O programa gerou um custo de R$ 2,4 bilhões e faz parte do esforço global da estatal para redução de custos.

No longo prazo, o programa representa um corte de 12,4% na despesa com pessoal, com a previsão de uma economia de R$ 13 bilhões a médio prazo.

Denúncias

Foster ressaltou ainda que a Petrobras tem feito um "forte trabalho interno de apuração" de indícios de irregularidades em contratações e aquisições.

No momento, cinco investigações internas estão em curso.

Estão atuando comissões para apurar eventuais problemas e irregularidade em contratos da Ecoglobal, da Astromarítima Navegação (ambas apareceram na investigação da Polícia Federal sobre o ex-diretor Paulo Roberto Costa), das contratações das refinarias Comperj (RJ) e Abreu e Lima (PE) e da compra de Pasadena -a última está em fase final e o relatório deve sair no fim deste mês.

Uma comissão já finalizou os trabalhos, a da suposto pagamento de propina da SBM, que não indicou responsabilidade ou problema por parte de empregados da estatal.

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