Economistas de instituições financeiras reduziram a projeção para a inflação neste ano, que voltou a ficar abaixo do topo da meta do governo, mantendo ao mesmo tempo a perspectiva de manutenção da Selic em maio. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada ontem, a projeção para o IPCA neste ano foi reduzida em 0,11 ponto percentual, a 6,39%.
A meta do governo é de 4,5% pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.
Em abril, o alívio nos preços de alimentos e transportes ajudou a inflação a desacelerar a alta a 0,67%, o que evitou uma aproximação ainda mais forte do teto da meta do governo.
Entretanto, a 6,28% em 12 meses, o IPCA permanece em níveis elevados e a pressão proveniente de serviços e preços de administrados, destacadamente da energia elétrica, mantém o sinal de alerta ligado. A projeção de alta dos preços administrados neste ano no Focus foi mantida em 5,00%.
Mas o Top 5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções, ainda vê o IPCA estourando o teto da meta este ano, a 6,69%, ainda que um pouco maior do que os 6,67% da semana anterior.
Para 2015, o Focus aponta expectativa de inflação de 6,00%, inalterado ante a pesquisa anterior, enquanto nos próximos 12 meses os economistas veem o indicador a 5,88%, 0,05 ponto percentual a menos.
Juros
O resultado abaixo do esperado do IPCA de abril e o fato de não ter se aproximado do teto da meta com mais força como se esperava dá mais argumentos para que o Banco Central pare de elevar a Selic neste mês, como já sinalizou anteriormente.
Assim, os economistas consultados no Focus continuam vendo manutenção da taxa básica de juros em 11% na reunião dos dias 27 e 28 do Comitê de Política Monetária (Copom) e que a Selic encerrará o ano a 11,25%.