A novidade, nestes últimos dias, foi o livro "Capital no Século 21", do professor francês Thomas Piketty, que valeu uma resenha de três páginas na Folha de 28/4, do economista Paul Krugman, festejando o lançamento da edição americana. A publicação surpreendeu os economistas, porque traz uma inovação na forma de usar a estatística no rastreamento da concentração de renda, partindo de um passado distante e incluindo os muito ricos, que eram desconsiderados nas discussões sobre a disparidade econômica. Analisando as tendências ao longo de várias épocas, sua conclusão é que o mundo entrou em um novo período de concentração de renda, em que as pessoas e os países ricos ficarão mais ricos. Em termos comparativos os pobres ficarão mais pobres, porque a maior parte da riqueza ficará nas mãos do 1% mais rico.
A luta contra a desigualdade é antiga. Platão propôs a criação de uma sociedade igualitária, dando origem ao conceito de utopia, de lugar que não existe, por não passar de um sonho irrealizável. Jesus Cristo plantou a ideia de que todos somos irmãos. O inglês Thomas Morus reviveu a ideia da utopia, com sua ilha de sociedade imaginária, ideal, sem propriedade privada, com absoluta comunidade de bens e do solo. Mas as lutas entre os que têm menos e os que têm mais começaram com a economia urbana, com o capitalismo, com empregados e patrões. Karl Marx acendeu a fogueira das lutas de classe, inspirando tentativas de igualitarismo, mas as mais conhecidas, o comunismo e os kibbutzim fracassaram. Se a busca pela igualdade é um sonho irrealizável, a luta por uma sociedade menos discriminatória, menos opressiva, com diferenças econômicas e sociais que não favoreçam uma minoria em prejuízo da maioria, essa nunca deve parar.
São muitas as tentativas para diminuir a desigualdade, como as que vêm sendo feitas no Brasil, de distribuição de renda e cotas raciais, mas a única maneira eficaz, que pode colocar todos no mesmo ponto de partida, para que cada um avance até onde seu potencial e sua sorte permitam, é a educação igual para todos, ricos ou pobres, brancos ou negros. E é justamente neste ponto que fracassamos. Depois de três anos sendo arrastado pela Câmara dos Deputados e recebido mais de três mil emendas, somente agora foi aprovado, pela Comissão Especial, o Plano Nacional de Educação, que estabelece as metas para o período de 2011 a 2020. Talvez venha a ser aprovado em definitivo quando deveria estar completando o período de implermentação.
Com esse exemplo, alguém duvida que está muito difícil ter um governo que realmente queira mudar o País? Juscelino fez um plano de metas para mudar o país inteiro em cinco anos e realizou. Agora, um plano só para educação, com 20 metas, depois de três anos ainda não está aprovado. E quando for aprovado não saberão o que fazer com ele, porque as metas apenas representam propósitos expressos em percentuais ? garantir que pelo menos 95% da população de seis a 14 anos conclua essa etapa na idade recomentada, oferecer educação de tempo integral em pelo menos 50% de escola pública, etc. Para cada meta são estabelecidas estratégias, com o verbo no infinitivo ? definir, fomentar, promover etc. São desejos e não planos propriamente ditos, dependendo de muitas futuras reuniões para formulá-los.
Há 50 anos a Coreia do Sul e o Brasil se equiparavam em desenvolvimento. A Coreia colocou todo o seu empenho na educação fundamental, apenas incentivando a iniciativa particular no ensino superior. O Brasil fez exatamente o oposto. Qual país está melhor hoje? E alguém faz fé no que os candidatos vão prometer agora? Vai ser a mesma baboseira das eleições passadas.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos
Jornalistas de Bauru e membro da ABLetras.