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Dengue atinge mais mulheres adultas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo/Quioshi Goto

Segundo Daniel Tarcinalli, as chances de haver uma epidemia em 2014 não estão descartadas

Por motivos ainda em questionamento, as mulheres acima dos 35 anos têm sido, neste ano, as principais vítimas de dengue em Bauru. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, pessoas do sexo feminino entre 35 e 49 anos concentraram 18% dos casos registrados até o momento - quase dois terços a mais do que a população masculina atingida nesta faixa etária.

Se estendido até a faixa dos 64 anos, o percentual de mulheres sobe para 30% do total de 151 casos da doença registrados até ontem. Chefe da seção de ações de meio ambiente da secretaria, Daniel Godoy Tarcinalli explica que o fenômeno pode estar relacionado a dois principais motivos.

Um deles é o fato de a contaminação por dengue, neste ano, ter se iniciado na região central de Bauru, onde se concentra um grande número de pessoas adultas desta faixa etária, que trabalha no comércio. “A outra razão é que, num segundo momento, os casos passaram a se concentrar nas áreas residenciais dos bairros periféricos. Ou seja, foi infestado quem costumava passar mais tempo em casa”, comenta, destacando que esta é uma leitura que, sozinha, pode não justificar a dinâmica observada na cidade.

“Não tivemos, por exemplo, quase nenhum caso de dengue contraída nas indústrias ou nas regiões comerciais dos bairros”, completa. Atualmente, os registros estão pulverizados em toda a cidade, não havendo áreas específicas que mais preocupam quanto ao índice de contaminação.


Contaminação

O número de 151 casos, inclusive, ainda é considerado baixo, principalmente se comparado às 7.442 notificações contabilizadas no ano passado. Mas, segundo Tarcinalli, Bauru não está livre de uma nova epidemia, mesmo já tendo superado a época chuvosa, que favorece a eclosão dos ovos do mosquito Aedes aegypti, quando os níveis de infestação costumam explodir.

“Mesmo com a pouca quantidade de chuvas registrada neste ano, a frequência com que nossas equipes encontram larvas nas residências ainda é muito grande. Falta conscientização por parte da população”, reclama.

Entre janeiro e fevereiro de 2014, a Avaliação de Densidade Larvária (ADL), concluída com dados de pesquisa em 12 regiões da cidade, detectou que o índice de infestação em Bauru era de 3,8.


Passado

Em outubro do ano passado, o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa) havia apontado que o nível estava em 2,1. Isso significa que tinham sido encontradas larvas do mosquito em 2,1 imóveis de cada 100 pesquisados. O índice já era considerado de alerta, já que o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é menor do que 1.


Epidemia

Daniel Godoy Tarcinalli acredita que a quantidade de pessoas doentes neste ano só não tenha sido maior porque, até agora, apenas contaminações pelo vírus tipo 1 foram registradas, levando ao que os especialistas chamam de esgotamento de suscetíveis. “Isso significa que a maioria das pessoas já ficou doente por este sorotipo específico e, portanto, se tornou imune a ele”, explica.

Mas, caso outro tipo de vírus comece a fazer vítimas, como o 2, 3 ou o 4 – este último ainda não registrado em Bauru -, as chances de ainda haver uma epidemia neste ano não estão descartadas. “E não é algo impossível de ocorrer, já que cidades vizinhas, como Jaú, estão computando um grande número de casos e municípios próximos, como Macatuba, já registraram casos de contaminação pelo sorotipo 4”.


Zika

Com a proximidade da Copa do Mundo, o alto índice de infestação do mosquito Aedes aegypti em Bauru traz uma nova preocupação. Durante o Mundial, há a expectativa de que um grande número de pessoas vindas de outros países circulem pelas cidades onde os jogos serão realizados, assim como de bauruenses que já planejam acompanhar o evento.

Desta forma, conforme alerta Daniel Godoy Tarcinalli, vírus ainda pouco conhecidos como o chikungunya e o zika, que tem como vetor o mesmo mosquito que transmite a dengue, podem se instalar. Há registro de casos da febre chikungunya na África, Ásia e Europa.


Crianças

O número de crianças contaminadas pela dengue em Bauru, em 2014, é consideravelmente baixo: apenas três casos entre meninos e meninas de até 9 anos de idade, o equivalente a 2% do total de registros até ontem. Uma primeira explicação é puramente demográfica: o volume de crianças, por si só, vem diminuindo em todo o País ao longo das últimas décadas – inclusive em Bauru – e já representam um percentual pequeno da população.

Mas Daniel Godoy Tarcinalli, chefe da seção de ações de meio ambiente da Secretaria Municipal de Saúde, alerta também para a possibilidade de subnotificação. “Por serem pequenas, muitas vezes as crianças não conseguem expressar o que estão sentindo, o que pode levar o médico a um diagnóstico errado. O paciente, então, pode nem mesmo ficar sabendo que teve dengue”, pondera.

 

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