A revista Carta Capital, edição 799, desta semana, traz uma coleção de textos do inesquecível Nelson Rodrigues a respeito de futebol e principalmente a respeito de nossa seleção pentacampeã. Foram extraídos do livro Brasil Em Campo, organizado por Sonia Rodrigues, sua filha.
Em Nosso Pão Espiritual, publicado no jornal O Globo, tendo se perdido a data, rubricou: "Como se sabe, o palpite errado tem sido o pão espiritual de milhões de brasileiros, vivos ou mortos....Para não ir muito longe, citaria o exemplo de 70. O que se disse e se escreveu sobre o escrete brasileiro!
Nunca vi um time ser tão humilhado e ofendido. Não ocorreu a ninguém que tínhamos elenco de gênios...que encontram na adversidade seu infalível estímulo. O escrete foi para o México e estraçalhou todo o mundo... A conquista definitiva de Jules Rimet deveria servir-nos de lição imortal. Mas, ai de nós, ai de nós. Tudo é perecível, menos o palpite errado."
Os palpiteiros encontram forte concorrência em Louis B. Mayer (1884/1975), judeu ucraniano de família paupérrima que, junto com Samuel Goldwyn e Marcus Lowell, outros dois judeus, fundaram a MGM, Metro Goldwyn Mayer, por muitos anos a maior produtora cinematográfica conhecida. José Geraldo Couto, na mesma revista, secção Calçada Da Memória, informa que no campo de palpites errados ele foi célebre: Não via futuro em Clark Gable porque tinha orelhas de abano, e no camondongo Mickey, porque "toda mulher tem medo de rato".
Que sorte a de Walt Disney que, vendo negado o financiamento pedido a Mayer, virou-se por conta própria e deu no que deu.
Faukecefres Savi, advogado,
jornalista colaborador, e
cinéfilo irrecuperável