Dois órgãos públicos foram alvos de protestos, ontem, em Bauru. Apesar de distintas, as manifestações ocorridas na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e na sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme o JC apurou junto aos participantes, tiveram em comum um tom de crítica, direto ou indireto, aos gastos públicos com a Copa do Mundo em detrimento de outros investimentos no País.
Ambos movimentos também aconteceram simultaneamente a vários protestos e paralisações sindicais que ocorrem em cidades e capitais do Brasil (leia mais na página 15).
Os acampados de Bauru e região, por exemplo, chegaram a pendurar faixas nas grades da Conab, que é administrada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com os dizeres “Bilhões para a Copa, tostão para a fome”, em alusão à reinvindicação por mais cestas básicas.
O protesto contou com a presença do ativista político brasileiro, fundador e ex-líder do Movimento Sem-Terra (MST), José Rainha Junior, hoje dirigente da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL).
Já na sede do INSS, na rua Azarias Leite, os funcionários da unidade protestavam por melhores condições de trabalho e mais contratações vestidos de preto. A unidade ficou fechada durante o dia todo. Hoje, contudo, o atendimento ao público volta ao normal (leia mais abaixo).
Acampados
Munidos de faixas e camisas vermelhas com a sigla FNL, cerca de 400 manifestantes pediam a liberação de cestas básicas e reivindicavam a arrecadação de terras. Os integrantes começaram chegar em frente a Conab, na Vila Pacífico, por volta das 3h.
Liderados por Rainha, o grupo seria formado por acampados de Bauru, Iacanga, Agudos, Presidente Venceslau, Teodoro Sampaio - no Pontal do Paranapanema -, Rancharia, Lucélia e Assis. Alguns, inclusive, reconhecidos como ex-integrantes do MST.
Por volta das 9h30, o ativista e mais seis membros do movimento foram chamados para uma reunião no interior da unidade na companhia de uma gerente da Conab. A conversa durou cerca de três horas e, após terem parte de seus pedidos atendidos, os manifestantes deixaram o local.
Segundo Rainha, o grupo pedia a liberação de 10 mil cestas básicas. “Depois de conversar por telefone com os diretores do Incra e da Conab conseguimos algumas cestas para segunda-feira. As outras, eles prometeram entregarem entre junho e o final do ano”, afirma o ativista.
Segundo ele, o representante do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) disse que o problema teria ocorrido em virtude da desatualização de cadastros no Incra. “Com a Copa, os programas ficaram abandonados. Não tem comida, cortaram crédito para habitação. A Dilma olhou para a Copa e não olhou para a fome. E por isso estamos aqui hoje (ontem)”, critica.
1.500 cestas
O Incra informou, por meio de nota, que acompanha a negociação entre os manifestantes e a Conab por meio de sua Ouvidoria Agrária e do setor de Mediação de Conflitos e que disponibilizou 1.500 cestas básicas para as famílias acampadas. “Informamos que a entrega de cestas básicas para as famílias acampadas pelo Incra segue uma programação anual, ainda em execução para o ano de 2014, devido à dinâmica dos acampamentos (surgimento de novos, mudança de local, etc.)”, diz.
Ainda de acordo com a autarquia federal, não houve presença de um representante do Incra no local por conta de outras demandas, mas o órgão acompanha a negociação e encaminhamentos.