Há 38 anos médico, o pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes pelo PV, Gilberto Natalini, defende que os investimentos paulistas na Saúde passem dos atuais 12% do Tesouro do Estado para até 17%. Se eleito, garantirá ao menos 15%. “Estamos fazendo continhas para checar se conseguimos checar a 17%”, explica. Neste caso, a verba para o setor teria acréscimo de 48%.
A informação foi prestada ontem, em entrevista concedida no espaço Café com Política do Jornal da Cidade, pouco antes do início do encontro regional da legenda, realizado pela manhã, na Câmara Municipal. O evento, que reuniu aproximadamente 100 pessoas, integra a sequência de reuniões em todo o Estado, iniciada no início de dezembro do ano passado.
Vereador na Capital, Natalini já percorreu 142 municípios paulistas e tem o objetivo de passar por pelo menos 400 até outubro. Por onde vai, além de tratar de Saúde, discute a defesa da democracia, da natureza e da vida, além da defesa da ética na política – bandeiras centrais do PV.
Presidente da Comissão Municipal da Verdade em São Paulo, ele acredita que o Brasil não viva atualmente uma democracia plena. A seguir, trechos de sua entrevista.
JC – Como é para o senhor disputar o governo do Estado com outros dois médicos: Geraldo Alckmin (PSDB) e Alexandre Padilha (PT)?
Gilberto Natalini - Sou médico cirurgião em exercício. São 17 mil cirurgias feitas na minha vida profissional. Continuo operando, eu vivo disso. Já eles são dois médicos que devem na praça. Pela postura de Padilha no ministério, é uma pessoa não muito grata pelo setor de saúde pública, pelos profissionais, pelas entidades. Ao sair, acusou os médicos brasileiros de serem pouco atenciosos, dedicados a seus pacientes. Diz que precisou trazer médicos de fora do Brasil para suprir uma deficiência dos médicos brasileiros que não se dedicavam aos pobres. Eu vou praticamente toda semana em um bairro de periferia atender milhares de doentes de graça. Quantos doentes o ministro atendeu de graça na vida dele? Eu queria saber.
JC - O senhor é contra o programa Mais Médicos?
Natalini - Não sou contra nada. Sou a favor de que o Brasil prestigie seus profissionais. Não se pode criminalizar uma categoria, como eles fizeram, para tapar a própria incompetência. O governador (Geraldo Alckmin) é médico também. Esses dois médicos devem à saúde pública. Devem explicações. O Estado tem uma situação um pouco mais organizada na saúde pública, mas o governador coloca do orçamento do Estado (na Saúde) um mínimo constitucional de 12%. O mínimo. Vamos propor de aumentar esse mínimo do Tesouro próprio à Saúde para 15%. Estamos fazendo as continhas para checar se conseguimos chegar em 17% do dinheiro do Estado para a Saúde.
JC – Mas o PV não é da base do governo de Geraldo Alckmin?
Natalini - O PV tem oito deputados e é a terceira maior bancada da Assembleia. Interessava ao governador ter o PV trabalhando nas questões da governabilidade. O governador convidou o PV a assumir uma secretaria. Assumiu a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos (com Edson Giriboni), mas a entregou na hora que fui candidato. O partido foi lá e disse que estava saindo porque tem candidato. Uma coisa é governabilidade. É trabalhar com governo e fazer as coisas boas para o Estado. Outra coisa é a disputa eleitoral. O PV saiu do governo. Agora, o governador convidou um membro do PV, individualmente. Não foi o partido que foi para o governo. Convidou porque, provavelmente, há competência para tal. Ele não está representando o conjunto do partido (o verde Marcos Mroz assumiu a Secretaria de Energia, em substituição ao tucano José Aníbal).
JC – Além da Saúde, quais são suas outras bandeiras?
Natalini - A bandeira central do PV se divide em três partes. Defesa da democracia, defesa da natureza e da vida e defesa da ética na política. As três têm a mesma importância. É horizontal. Agora, a defesa da natureza e da vida é da própria essência do PV, é programático. Eu quero dizer que quem pensa que o PV só abraça árvore está enganado. Nós gostamos de abraçar árvores, mas temos propostas muito mais amplas para a sociedade. Nosso diferencial com os outros partidos é a área ambiental. Agora estão colocando (estas questões) nas plataformas porque têm 92% dos brasileiros preocupados com a questão ambiental. Só que o PV faz isso há 30 anos, não é oportunismo de ocasião.
JC – Por conta da crise de abastecimento de água, o fato do PV ter integrado a Secretaria de Recursos Hídricos não é uma saia justa?
Natalini - Não é porque o secretário é cumpridor de ordens. Quem libera dinheiro é o governador, que decide obra. O secretário propõe e obedece os desígnios do governo. Não tem nenhuma saia justa porque nós não somos o governo. Tenho leis em São Paulo inspiradas no programa do PV. Todas as ruas de São Paulo são lavadas com água de reuso. Agora tem uma lei minha que multa em R$ 1mil quem lavar calçada com mangueira e, na reincidência, R$ 5 mil. Essa questão da proteção dos recursos está na alma do PV.
JC – Como o senhor avalia a democracia no Brasil?
Natalini - Fui 17 vezes preso e pendurado no pau de arara. Tomei muito choque. Tenho essa história de vida para conquistar a democracia, a liberdade, mas não para construir esta lambança que tem no Brasil. É uma democracia de lambança, de esbórnia. Ela é deturpada, desrespeitada, mal utilizada pelas forças políticas que estão no poder. Os grande partidos políticos como PT, PSDB e PMDB chegaram ao governo, pegaram fatias enormes do governo para se servir e não para servir. Eu não quase morri na ditadura para ganhar uma democracia para esse pessoal se servir. Nós do PV queremos uma democracia para servir o povo, não é o que está acontecendo. A todo momento alguém investe contra a democracia. A democracia brasileira não é plena.
Para obter votos, partido vai focar na militância regional
Partido obteve 158 mil votos para vereadores em 2012, potencial que será aproveitado por Clodoaldo Gazzetta e Ivana Camarinha
O encontro regional do PV, realizado ontem, também teve como objetivo mobilizar os verdes da região para a campanha de deputados, além de apresentar o pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Gilberto Natalini.
“Estamos sem representatividade política na região faz muito tempo. Só temos um deputado (o tucano Pedro Tobias, que tentará seu quinto mandato na Assembleia Legislativa). A região tem eleitorado para eleger mais pessoas. O fortalecimento da candidatura de Natalini passa necessariamente pelo fortalecimento das candidaturas proporcionais”, explica o pré-candidato a deputado federal, Clodoaldo Gazzetta.
Na opinião dele, o elevado número de candidatos em Bauru (aproximadamente 20 nomes) atrapalha, mas não é determinante para o partido. “Não estamos muito presos às questões das candidaturas em Bauru. Estamos trabalhando em municípios próximos. Na eleição de 2012, elegemos vereadores em praticamente 56 cidades. O PV fez 158 mil votos (para o Legislativo) nestes municípios, onde vamos trabalhar com a militância”, explica.
Segundo a ex-prefeita Ivana Camarinha, pré-candidata a deputada estadual, a população é muito simpática ao partido.
História
“Isso faz as pessoas se envolverem. Enquanto outros partidos precisam de quase 100 mil votos, nós conseguimos com algo em torno dos 50 mil. O PV tem uma história no Brasil. Quando a gente a analisa, percebe que o berço do PV foi a região”, comenta Ivana Camarinha. Ela ressalta que o primeiro vereador do PV foi de Macatuba, que os primeiros prefeitos do Brasil pela legenda também são da região – como é o caso de seu pai já falecido, Diácomo Bertolini.