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Fazenda é invadida por 170 famílias

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 170 famílias invadiram a Fazenda São José no município de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) na noite de anteontem. Eles pertencem ao Movimento Irmã Dorothy da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) liderado pelo ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior. A ocupação foi pacífica e, segundo a liderança, é um protesto para pressionar o governo federal a fazer os assentamentos prometidos para este ano.

“Estamos protestando contra a palavra da (presidente) Dilma Roussef. Ela falou que iria assentar 35 mil famílias este ano e até agora não assentou ninguém. Queremos que ela ou o Incra, que é o órgão responsável pelos assentamentos, comece a assentar as famílias,” explicou o coordenador geral do movimento Irmã Dorothy, Paulo Henrique Rodrigues.

Segundo ele, o movimento tem 380 famílias acampadas no município de Agudos, Borebi, Pederneiras e Piratininga. “A fazenda Geada tem 50 mil hectares de terra que pertencem à União. Isso já está provado. Ela está ocupada por laranja, eucalipto e cana. Queremos que eles assentem pelo menos 120 famílias.”

A fazenda São José faz parte das terras do Grupo Colonial Monções pertencentes à União, de acordo com o coordenador do movimento. “Ela está ocupada pela empresa Louis Dreyfus Comoditus Citrus que é uma prestadora de serviços da Cutrale. A propriedade tem aproximadamente 2.500 hectares que estão ocupados com plantação de laranja.”

As famílias começaram a ocupar a propriedade rural por volta das 18h de sexta-feira e ontem ainda estavam chegando e construindo suas barracas, informou Rodrigues. “A previsão é que até o final da noite de hoje (ontem) as 170 famílias e suas barracas já estejam no local. Nós encontramos a porteira aberta e ocupamos a parte da fazenda que beira a estrada.”

Jogando veneno


O Movimento Irmã Dorothy  quer responsabilizar a empresa Louis Dreyfus por contaminação de uma reserva natural de água. “Eles pulverizam os pés de laranja com veneno. Quando chove, esse produto vai para o reservatório natural da propriedade. Nós desconfiamos que essa água é usada na cidade de Bauru, uma vez que esse reservatório é um dos afluentes do rio Batalha.” A reportagem não conseguiu localizar representante da assessoria de imprensa da Louis Dreyfus até o fechamento desta edição.

Segundo a coordenação do movimento, na próxima semana os órgãos responsáveis pelo Meio Ambiente serão informados sobre a suposta contaminação. A ocupação foi pacífica, segundo informação da PM, que o encarregado nem registrou Boletim de Ocorrência referente ao fato. À polícia, o encarregado da fazenda teria dito que iria recorrer ao departamento jurídico da empresa. O coordenador do movimento aguarda a presença do gerente da fazenda na próxima semana para iniciar as negociações.

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