Bairros

O subir e descer de cada dia

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

A Vila Quaggio, região do Jardim Bela Vista, é um dos bairros conhecidos por suas ruas íngremes. Andando por elas, é fácil notar a adaptação improvisada dos moradores para driblar o suor da rotina.

Nas calçadas, por exemplo, há degraus para quebrar as extensas rampas que elas formam. O que pode melhorar para alguns, pode virar obstáculos ainda maiores para outros, como cadeirantes ou pessoas com outras dificuldades motoras.  

Já os motoristas usam outro tipo de mecanismo de “segurança”. Praticamente todos os carros estacionados nessas ruas ficam com as rodas esterçadas para o meio-fio, para a guia, com o intuito de proteger ainda mais o veículo da descida.   

Outra adaptação são as estruturas de ferro fixadas nas calçadas para evitar que caminhões e carros desgovernados invadam as casas. Eles estão presentes, por exemplo, na esquina da rua Afonso Pena com a José Caciola, onde vive a aposentada Maria Margarida Lira.           

“Eu vivo aqui há uns seis anos, mais ou menos. Acidentes são comuns na esquina. Quando me mudei, esses ferros já estavam na calçada. Mas, mesmo assim, já entrou caminhão no muro. Não faz muito tempo, um deles, carregado de laranjas, tombou e entortou os ferros. A gente faz o que pode para se proteger”.

Outra dificuldade das subidas acentuadas apontada por Maria está na hora de entrar com o carro na garagem, pois, além de íngremes, as vias são estreitas.  


Na terra é ainda mais difícil

O motorista Daniel Ferreira Soriano, que vive há cinco anos “no pé” da rua Takuji Takenaka, na Pousada da Esperança II, tem na citada via a única passagem para chegar até outros pontos do bairro. E, por ser íngreme e sem asfalto em um longo trecho, incluindo boa parte do caminho até a casa de Daniel, ele e a família enfrentam batalhas diárias para se locomover.

“Eu tenho quatro filhos, todos crianças. Os grandes ainda conseguem subir a rua, devagar, mas conseguem. Já os pequenos, eu preciso pegar no colo, porque não aguentam andar muito. A nossa grande dificuldade é com as crianças mesmo. O trajeto da escola não é fácil para elas. Mas não temos outro caminho”, destaca.

Quando o filho mais novo era bebê, Daniel lembra que a dificuldade da caminhada era ainda maior, porque um carrinho de bebê não passa pela rua cheia de areia. “Eu levava o carrinho nas costas e minha esposa pegava a criança no colo.

E, quando chove, subir a ladeira é quase um sacrifício. O motorista conta que a lama desce com força, o carro não pode sair da garagem... e bicicleta, nem pensar. Já vi muita gente caindo de moto rua abaixo. E é claro que os ônibus não passam por aqui.                             

Se descerem, não sobem. E a gente vai tocando a vida assim. Até pouco tempo nem havia a rua, subíamos pelo pasto”, frisa.

E por falar em pasto, o gado comumente anda solto pela rua Takuji Takenaka.


Orientação técnica

De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, o ideal é não construir casas abaixo do nível da rua para evitar problemas com a água da chuva, por exemplo. Entretanto, isso é possível se feito com orientação técnica adequada, como a ajuda de um engenheiro. “É preciso levar alguns itens em consideração, como a declividade do terreno e a velocidade da água que desce na rua, além do material empregado na obra”.

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