Tribuna do Leitor

Quem é Ivan Goffi?


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Pessoalmente, não o conheço, mas, pela leitura das inúmeras cartas que envia para esta tribuna, é possível extrair seu perfil: homofóbico, racista, reacionário e hidrófobo. Com sangue nos olhos e ira nas ventas, destila veneno pelo canto da boca e nutre um ódio mortal aos comunistas em particular e aos militantes de esquerda em geral. Algum trauma de infância ? Será que quando criança algum comunista o obrigou a dividir suas bolinhas de gude com os amiguinhos? Ou quando adolescente sua namorada o deixou em razão de uma paixão avassaladora por um marxista revolucionário? Talvez a leitura compulsiva da revista Seleções ou quem sabe a atenção dispensada aos comentaristas do Manhattan Connection tenham afetado seus neurônios.

Causa pena sua doentia obsessão. Certamente deve passar por infindáveis insônias, pensando ter um comunista embaixo de sua cama. Na época do Natal desespera-se ao deparar com a figura de Papai Noel, imaginando ter pela frente o velho Karl Marx, disfarçado de bom velhinho. Alucinado, ainda acredita que o PT é um partido de esquerda e que um levante comunista está prestes a eclodir.

Ao contrário do que afirma o nobre visionário das ideias retrógradas, não se esperou 30 anos para começar a "campanha massiva de desmonte histórico" mas sim foi se construindo, durante todos estes anos, a luta para o resgate histórico do que de fato ocorreu durante a tenebrosa ditadura civil militar que perdurou por 21 anos e, se tantos fatos não vieram a tona antes, é porque a transição da ditadura para a democracia foi feita pelas elites, sem punição aos criminosos do regime ditatorial e sem a participação popular, com acordos entre vários ex-membros do antigo regime que, diante do seu naufrágio, bandearam-se para o outro lado, tais como Sarney e Antonio Carlos Magalhães.

Numa sociedade democrática temos que conviver com todas as diferenças, mas o que dizer de um sujeito que defende o covarde ataque ianque a Hiroshima e Nagasaki, quando a guerra já estava definida, apenas para mostrar seu poderio bélico e quem era o senhor do mundo ? Ou que defende claramente a tortura ao afirmar que "infelizmente poucos tomaram pau"? Dr. Goffi, tortura é crime e sua apologia também o é. Negar a história é pior do que omiti-la. As aberrações contidas no texto do fiel pupilo do autor de "Mein Kampf" nem mesmo nos tristes tempos das aulas de EPB e OSPB tinham os professores coragem de ministrar. Acredita ele na velha máxima do ministro nazista Joseph Goebbels: "Uma mentira mil vezes repetidas se transforma numa verdade".

Mas certamente, sr. Ivan Goffi, prefiro a bela figura de Dom Quixote à do rei Arthur. Sempre desprezei os poderosos, seus palácios e suas benesses e, sem dúvida, chamar-me de quixotesco não é uma ofensa, muito ao contrário. Porque todos que sonham e lutam por um mundo melhor, justo e igualitário, acreditando tornar possível o impossível e carregam consigo a nobre qualidade da solidariedade, tem algo de quixotesco. Assim são os verdadeiros socialistas e lutadores das causas populares.

Enquanto o porta-voz do atraso vocifera seus impropérios, preso nos seus preconceitos, na sua violência e no seu senso de destruição, a história da humanidade segue seu curso. Afinal, como diz a canção de Chico Buarque e Pablo Milanes: "A história é um carro alegre, cheio de gente contente, que atropela indiferente, todo aquele que a negue".

Arthur Monteiro Junior - advogado

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