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Jubileu reúne 10 mil em missa única

Por Luciana La Fortezza | Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 7 min

Humildade, renovação da responsabilidade missionária e unidade da diocese ao completar 50 anos foram aspectos contemplados pela homilia do núncio apostólico, dom Giovanni D’ Aniello, representante da Santa Sé no Brasil que, na tarde deste domingo (18), presidiu a única missa dominical do episcopado local, no estádio do Noroeste.

Simpático, ele pregou cerca de 25 minutos para aproximadamente 10 mil pessoas, que ouviram em silêncio suas palavras, durante a celebração que marcou o Jubileu de Ouro da Diocese de Bauru. Ao final do evento, pouco antes do show do padre Reginaldo Manzotti, disse à imprensa que Jubileu também representa momento de reflexão para avaliar o que precisa melhorar e frutificar não somente para a igreja, como para toda a sociedade.

Embora ressalte que os católicos caminhem  sempre com o mesmo espírito, desde ontem, a marcha dos fiéis locais passa a ser balizada pelo 8º Plano Diocesano Pastoral, conforme destaca o bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari. Além dele, mais 13 bispos, inclusive dom Luís Antônio Guedes que o antecedeu, e 78 padres concelebraram a missa de quase três horas de duração.

Neste período, em duas ocasiões específicas (antes do show de evangelização “faça-me crer”) foi possível ouvir os fiéis em coro, como se espera em um estádio de futebol. Da primeira vez,  genuína surpresa. Meados da missa, 50 pombas brancas representando o Espírito Santo, padroeiro da Diocese de Bauru, foram soltas de uma só vez. As exclamações ecoaram, enquanto flâmulas vermelhas, amarelas e laranjas (cores do Espírito Santo) pintavam a arquibancada.

Brado

Da segunda vez, os católicos uniram suas vozes para rezar o “Pai Nosso”, antes proferido nas línguas italiana, espanhola, árabe, japonesa, luganda e terena. “Nunca participei em Bauru de uma missa tão grande assim. Esse evento era tão esperado e foi do jeito que imaginávamos”, comenta a católica Débora Prevideli, 18 anos, logo após a comunhão.

Ela recebeu a hóstia de um dos 300 ministros extraordinários da comunhão eucarística, que foram até a arquibancada com o Corpo de Cristo. Seguiram em dupla. Enquanto um segurava a âmbula, o outro levava um sinalizador para que os fiéis os identificassem. Virado do outro lado, o mesmo sinalizador apontava quando o cálice estava prestes a ficar vazio.

A organização do evento, que contou com mil voluntários, chamou atenção inclusive de autoridades de Bauru. Já a acolhida dos católicos da cidade despertou o carinho do núncio. Ao final da missa, já em tom de despedida, reiterou uma fala de dom Caetano, segundo quem dom D’Aniello deixaria um pedacinho de seu coração. “Então, terei de voltar”, finaliza.


Criação da Diocese

Hoje com 82 anos, o padre Darcy de Almeida Pinto trabalhou em Bauru antes mesmo da cidade contar com sua própria Diocese. Atualmente morador de Pederneiras, conta que veio de Botucatu para atuar na paróquia do Divino Espírito Santo, que ainda não era catedral.

Estava presente quando a Diocese foi anunciada. Depois, tornou-se seu vigário geral por 22 anos. Agora, 50 anos depois, conta que a participação dos fiéis é muito maior.


Autoridades prestigiam cerimônia

Evento da Diocese de Bauru contou com a participação do deputado Pedro Tobias (PSDB), do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), além de vereadores e outros representantes

Várias autoridades prestigiaram ontem a festa realizada em comemoração ao Jubileu de Ouro da Diocese de Bauru. Católico maronista, o deputado Pedro Tobias representou o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Ele ficou impressionado com a organização da festa que contou apenas com voluntários. Para ele, trata-se de um exemplo de cidadania para as esferas público e privada.

Também esteve presente o prefeito Rodrigo Agostinho, que acompanhou a missa do começo ao fim. Ressaltou que a Igreja Católica teve um papel importante na história do País e da cidade também, independentemente de questões religiosas. “Bauru é uma cidade muito nova e os 50 anos da Diocese mostram um pouco isso”, pondera.

Pelo menos quatro vereadores de Bauru e prefeitos da região prestigiaram a solenidade católica, dos quais, o presidente do Legislativo local, Sandro Bussola (PT), que é pastor. Para o parlamentar, a cidade está sendo abençoada com evento e com a presença do núncio dom Giovanni D’ Aniello. “É um privilégio recebê-lo. Segundo a Bíblia, é tão bom e suave quando os irmãos se unem em comunhão”, afirma.  Também maronista, o deputado federal Ricardo Izar Jr. acredita que o Jubileu é capaz de expressar uma alegria interna e externa dos católicos. A afirmação foi feita durante a missa no estádio do Noroeste.


Bênção

Ao final da missa única realizada no estádio do Noroeste, a Diocese de Bauru recebeu a bênção apostólica do Papa Francisco por ocasião do Jubileu de Ouro. A declaração foi entregue a dom Caetano Ferrari por dom Giovanni D’ Aniello. Já núncio levará como lembrança duas moedas. Uma com o brasão da Diocese e outra referente ao Jubileu.

Antes, porém, foi lançado o carimbo comemorativo alusivos ao Jubileu de Ouro da Diocese de Bauru.


Homenagem feminina

Em meio a tantos homens, uma mulher foi homenageada ontem, durante a festa do Jubileu de Ouro da Diocese de Bauru. Trata-se da irmã Clara Maria Moreira, da Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. Em Bauru desde a segunda parte do governo de dom Cândido Padin, ela começou no bispado da cidade fazendo o serviço de secretariado. Dois anos depois, foi nomeada chanceler. Em 2008, ela própria comemorou o jubileu de vida religiosa, época em que o bispo era dom Luís Antonio Guedes, atual bispo de Campo Limpo.


Famílias levam crianças para assistir o evento

Se um dos compromissos da Igreja agora é com os jovens e com a família como prevê o Plano Diocesano de Pastoral lançado durante a missa campal do Jubileu, estímulo para que isso dê certo não faltou. O estádio do Noroeste abriu suas portas para as famílias. Foram milhares de casais presentes, inclusive com crianças de colo. Caso de José Luiz Prata (da Igreja Maria Mãe do Redentor) e Andrea Prata (da Igreja de Santo Antônio) que levaram ao estádio os filhos João Pedro, três anos e Maria Clara, de dois. “Do jeito que disse o núncio este é um momento de bênção das famílias, um novo Pentecostes”, lembrou José Luiz. “É muito importante para a gente participar das atividades, está tudo muito lindo e especial e o que importa é que a família seja abençoada” emendou Andrea. Também estava com os pequenos Gabriel e Clara, o casal Fabiano Ricci e Fabiana Ricci. Da paróquia de São Sebastião eles fizeram questão de ir ao estádio. “Já estava na nossa programação”, ressaltando ser “importante para a gente participar”.


Evento abençoado

Os jovens Maria Clara Cardoso, Giovana Escotun, Elisa Bresser e Rafael Salzedas que fazem parte do Jovens Unidos  por um mundo de paz (Jump) da paróquia Santa Rita de Cássia estavam lá não apenas participando da missa, mas também trabalhando como voluntários.

Próximo deles, só para assistir à missa estava Geová Rodrigues, conhecido massagista do E.C.Noroeste. Ele que é membro da paróquia de São Benedito, na Falcão, elogiava não só o momento de fé, mas também a organização.  “São dez mil pessoas e até o horário do show vai ter muito mais, acredito, mas eu que cresci no Noroeste, cresci aqui dentro, nunca vi esse estádio tão tranquilo, tão calmo, tão feliz com esse número de pessoas. É mesmo uma bênção”.

Quem ficou se sentindo muito abençoada foi Edmar Francisco Paes, 81 anos, da paróquia São Judas Tadeu. Antes do início da missa o núncio apostólico deu uma volta no estádio abençoando o público. E ao vê-la dom Giovanni D’ Aniello estendeu-lhe a mão e foi cumprimentá-la. Ela entrou em estado de graça. Ficou visivelmente emocionada. “Acho que se ele fez isso é porque devo ter algum merecimento lá no céu”.

Quem também ficou emocionado foi Augusto Capella, que teve a oportunidade de conversar em italiano com o núncio. Cadeirante, ele contou ao núncio que aprendeu a língua natal dele, quando morou na Alemanha e tinha muito contato com imigrantes italianos. A impressão que o núncio deixou nele foi “o que se quer de um líder católico, alguém carismático, espontâneo, conversando com os fiéis de igual para igual”. Além de assistir à missa, Capella está empenhado na criação de uma fundação cristão de amparo ao deficiente.

O show do padre Reginaldo Manzotti teve atraso de meia hora por conta de uma queda de  energia elétrica, mas ele deu conta do recado, “promover a fé em Cristo”.

Leia mais: Cobertura completa na edição impressa do JC desta segunda-feira (19)

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