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O setor elétrico na casca de banana

Braz Melero
| Tempo de leitura: 3 min

Uma banana era dada aos que, até a década de 90, diziam que o setor elétrico estava em colapso; aos que pregavam mudança no modelo, com "a geração distribuída" (hidro, nuclear, eólica, solar, térmicas à gás...). O governo federal fazia "vista grossa" e escorregou na casca de banana. Deu no que deu: racionamento em 2001, vulgo apagão. Após a porta arrombada, veio a tranca. As linhas de transmissão e as usinas, em especial com fontes alternativas, tiveram obras aceleradas e outras saíram da gaveta. Intensificava aí, a aplicação do modelo canadense, com parque gerador hidrotérmico e longos circuitos interligados (o americano é térmico, com usinas perto da carga, para que dê suficiência à região, mas exige maior investimento).

Uma banana foi dada pelo governo federal, em 2003, ao seu antecessor e às medidas adotadas pós-apagão. Mesmo assim, deu continuidade às obras em andamento. Até 2011, tudo ia bem. As chuvas regulares enchiam os reservatórios. As novas térmicas ficavam de reserva. O governo dormia em berço esplendido e cometeu velhos erros. Muitos projetos voltaram para as gavetas estadual e federal. Cadê a térmica de nossa querida Pederneiras, prevista para 2005?

Sem se dar conta que estava no meio do "bananal", o governo impôs redução tarifária para 2013. Pasmem... Três MPs; quatro decretos; uma resolução; uma lei. Triste ilusão! Mais uma vez foi dada uma banana ao princípio da antiadministração: "Quem quiser tomar uma atitude errada ouça todo mundo ou ninguém". Caso consultasse a maior empresa de meteorologia da América Latina, a Climatempo, saberia que entre 2012 e 2015 haveria pouca chuva. A regularidade só virá em 2016, segundo a diretora Patrícia Madeira. Todo esse arcabouço autoritário foi danoso para os agentes envolvidos, inclusive para população que já está sofrendo as consequências. De quebra, via ICMS, reduziu a arrecadação dos Estados e Municípios, além de jogar às traças a credibilidade do setor elétrico. Não levou em conta o elevado custo operacional do sistema elétrico, o mais extenso e complexo do mundo. Deu uma banana à consagrada máxima, atribuída a Tancredo Neves: "A energia mais cara é a que não temos". Como sempre digo: "Quero energia barata, mas quero tê-la".

Também foi dada uma banana à lei universal de mercado: "Ao diminuir o custo haverá aumento de consumo". Daí ocorrer crescimento de venda do ar condicionado, não apenas o vegetativo, mas, principalmente, para substituir outros sistemas, como os alimentados à lenha industrial. O chuveiro passou o título de vilão ao ar condicionado.

Neste espaço (JC - 06/0213), testemunhei fatos que constatei nos setores hoteleiro e residencial. Assim, o horário de pico do consumo deslocou do início da noite para o meado do dia. Entre às pérolas produzidas no período dos 10 apagões relevantes, entre agosto de 2012 e setetembro de 13, destaco a "banana que foi dada pelo governo aos que dizem que raio provoca desligamento de energia". (???...)

Preocupa-me ainda a omissão do governo em não aplicar um programa incentivado ao uso racional de eletricidade e ainda rejeitar a classe empresarial na gestão da crise para minimizar a situação atual, bem como para o próximo verão. Oxalá quem assumir o comando do País no próximo ano, da situação ou oposição, aprenda a lição dada pelo jogador Daniel Alves e tenha atitude: descasque, come e descarte a casca desse bananão chamado setor elétrico. 

O autor é diretor do Lions Bauru Centro

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