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Bauru terá a Casa do Adolescente

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru contará em breve com um ambulatório voltado exclusivamente para o adolescente e que terá como diferencial uma abordagem preventiva em relação aos fatores de risco e vulnerabilidade: a Casa do Adolescente. A vinda do ambulatório foi confirmada pela médica Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do programa Casa do Adolescente, que esteve em Bauru na última sexta-feira, participando da abertura do Encontro Multidisciplinar da Saúde das Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

João Rosan

Coordenadora do programa, Albertina Takiuti; o deputado Pedro Tobias; Chiara Ranieri, Dudu Ranieri e Neto Ranieri, todos da FIB

Além de Takiuti, que proferiu a palestra “Adolescência - viver, sentir e amar”, o evento contou com a presença do deputado estadual e médico Pedro Tobias (PSDB), que palestrou sobre “Saúde do Adolescente no Estado de São Paulo”.

De acordo com Albertina Takiuti, a proposta da Casa do Adolescente, programa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que conta com médicos, psicólogos, dentistas, enfermeiros, nutricionistas e assistentes sociais, é a identificação dos riscos e a oferta de fatores protetores. “É oferecer ao adolescente como lidar com o futuro, lidando com o entorno e com ele mesmo. A intenção é formar um cidadão do mundo e não um cidadão da violência”, define.

Os atendidos terão entre 10 e 20 anos de idade. Não há restrição de classe social. Basta fazer a inscrição para participar do programa.

O ambulatório vai funcionar em parceria com a FIB. Será um convênio, com administração estatual e suporte da instituição de ensino. “Estamos festejando uma parceria da Casa do Adolescente do Estado com a faculdade. Já existem vários lugares no Brasil onde uma faculdade assume um papel de parceria com a população para atendimento”, explica Takiuti.

Segundo ela, na metodologia adotada pelo ambulatório, o primeiro fator protetor é o trabalho em grupo em atividades que priorizam informação, diálogo, conscientização, além de iniciação em áreas onde o adolescente possa se desenvolver, procurando valorizar biografia, a troca de experiências e conhecimento dentre os membros do grupo.

O programa tem como referência o atendimento a jovens nos seus aspectos físicos, psicológicos e sociais. “O adolescente que participa de esporte, de música, de dança, tem, na verdade, não só uma ocupação de tempo livre, mas uma ocupação da vida, do projeto dele. É a estimulação de uma entrada no futuro. E nada melhor dos que os jovens de uma universidade para ensinar todas as habilidades. O adolescente que tem habilidade não fica prisioneiro de um bando e nem do crime. Ele se desenvolve”, aponta.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, a coordenadora da Casa do Adolescente falou sobre o ambulatório e principais fatores de risco e vulnerabilidade na adolescência.


Jornal da Cidade - A Casa do Adolescente difere de outros dispositivos de atendimento por ser preventivo?

Albertina Duarte Takiuti - Ela é mais que preventiva. O fundamental é identificar os riscos, sejam de tendência à droga, ao alcoolismo, e prevenir que os riscos se alarguem. É um atendimento integral ao adolescente e foca na vulnerabilidade do jovem homem e mulher para que eles possam se tornar cidadãos, além de ser uma proposta de atendimento gratuito.

JC - E o ambulatório vai funcionar em parceria com a FIB?

Takiuti - Exato. E, na verdade, já estamos participando com a FIB. O portal da Secretaria de Saúde do Estado, que é o portal do adolescente, já foi a tecnologia daqui que ajudou o Estado de São Paulo a ver. Estou vindo aqui para sensibilizar, porque imagine se todas as universidades do Estado criassem um ambulatório. É o único momento que a gente pode sair da proposta da violência.

JC - Então, a administração da Casa do Adolescente ficará a cargo do Estado com o suporte da FIB? Quando começa a funcionar?

Takiuti - Sim. A ideia é contar com os cursos das faculdades daqui, além do espaço que é incrível. Estou falando com deputados da região para sensibilizar para que possa vir bem rápido este convênio. Quero voltar aqui bem próximo, antes do final da Copa do Mundo, para inaugurar. Marcar o gol (risos).

JC - Hoje, as principais vulnerabilidades do adolescente estão mesmo relacionadas a drogas, gravidez precoce e doenças sexualmente transmissíveis e distúrbio de alimentação?

Takiuti - Adolescência é um momento onde a pessoa trabalha com sua autoimagem. Se ela não tem condições e habilidades de trabalhar com a autoimagem, vai desde à obesidade, à falta de cuidado na alimentação, até a anorexia. Porque ela não sabe lidar com seu corpo, alimentação e desenvolvimento. Existe também vulnerabilidade em relação aos acidentes. Se o adolescente não tem forma de saber o risco, pode se matar. Não tem limite. Outra situação é em relação ao outro. Se o adolescente não sabe negociar, não negocia sua sexualidade, fica escravo da sua sexualidade. Pode conhecer os métodos anticoncepcionais e não usar. Outra situação: para ser inserido em um grupo, acaba aceitando qualquer risco. E a droga é vista como um grande passaporte de aprovação. Para ser aceito, ele passa a um grupo de risco.

JC - Os adolescentes, hoje, estão mais vulneráveis do que há algumas décadas?

Takiuti - Com certeza. As ofertas de risco são maiores. O adolescente, hoje, para ser aceito, tem que ser bonito, tem o comportamento da moda, o corpo da moda e o consumo da moda. Na verdade, há décadas, você tinha uma história do trabalho, do ser. Agora, é do ter. Este ter destrói as pessoas. E o adolescente “certinho” também é vítima de bullying. Estamos perdendo uma guerra, a violência está ganhando da paz e precisamos reverter isso.


Só falta o médico

Segundo a diretora acadêmica da FIB, Chiara Ranieri, o convênio está acertado com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, mas só começará a funcionar como Casa do Adolescente assim que um médico, exigência do programa, for contratado.

“Nós estamos começando a funcionar já, mas não como Casa do Adolescente. O programa do Estado de São Paulo tem um legislação que pede uma equipe mínima de profissionais que requer médico. Nós não temos médico na equipe.

Convênio

Quando tivermos o médico, vamos fazer o convênio e passaremos a ser chamados de Casa do Adolescente”, explica.

Ranieri afirma que a FIB vai começar a fazer divulgação nas escolas de Bauru e região já chamando os jovens para fazerem a inscrição no programa. “Esta inscrição vai ser feita até o final deste semestre e, em agosto, começaremos as atividades. Então, estamos começando a funcionar sem médico como um projeto da instituição sem vínculo com o Estado ou município dentro daquilo que preconiza o programa”, declara.

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