Segundo a família, Takisava Massakazo foi o primeiro médico japonês a atuar em Bauru. Ele morreu na tarde do último domingo, aos 82 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). “Ele lutou até o último dia, mesmo sabendo que não iria sobreviver”, frisa a filha mais velha, Suely Okamoto Takisava. O amor por aproveitar a vida era tão intenso que, aos 80 anos, Massakazo chegou a saltar de paraquedas.
De acordo com Suely, o médico nasceu em Lins (102 quilômetros de Bauru) no dia 23 de junho de 1931. Quando jovem, foi para a Capital em busca do sonho de salvar vidas. Depois de muito esforço, Massakazo se graduou na antiga Escola Paulista de Medicina. Porém, foi durante a faculdade que conheceu a esposa, com quem conviveu até os seus últimos dias.
Do matrimônio, vieram as filhas Suely Okamoto Takisava, 54 anos, Margareth Okamoto Takisava Kussaba, 53 anos, e Tania Okamoto Takisava, 47 anos. O médico saiu de São Paulo, onde nasceu a primogênita, mudou-se para Marília (100 quilômetros de Bauru), cidade natal da segunda filha, e depois, para Bauru, onde o casal teve a caçula. “Ele optou pelo Interior, porque queria dar mais atenção à colônia japonesa”, diz a filha Margareth.
O fato de ter afinidade com a língua japonesa fez com que Massakazo conquistasse a confiança dos pacientes nipônicos, que, na época, pouco sabiam sobre o português. Mesmo com a aposentadoria iminente, o médico optou por continuar na ativa. “Ele era apaixonado pela vida, em primeiro lugar, fato que o incentivou a não desistir da carreira”, conta a filha Tania.
Massakazo tinha um consultório em Bauru, mas resolveu fechar depois que se aposentou. “Ele ficou um ano parado, mas não aguentou e voltou a trabalhar. Ele fazia plantões no Hospital de Agudos”, completa Tania. Quando começou a trabalhar em Bauru, o médico fazia de tudo um pouco, desde clínica geral até obstetrícia, sendo que muitos japoneses nasceram sob a supervisão dele. “Na época, não havia convênio médico. Portanto, quem não podia pagar a consulta, ele atendia da mesma forma”, explica a caçula.
Para a família, fica um exemplo de honestidade, bondade e, principalmente, de valorização da vida. O médico deixou a esposa Meire Okamoto Takisava, 80 anos, três filhas, três netos, quatro bisnetos e uma legião de pacientes nipônicos que o idolatrava. O corpo de Massakazo foi velado no Centro Velatório Terra Branca e cremado no Crematório Regional Jardim dos Lírios ontem à tarde.