Tribuna do Leitor

Morte


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Nunca lidei bem com a morte. Quando criança, as mortes mais próximas eram de pessoas de idade que eu quase não mantinha contato e que eu não conseguia entender direito. Na adolescência a morte mais próxima levou pessoas um pouco mais conhecidas, mas que não me fizeram captar o sentimento profundo e triste de verdade.

Há alguns anos a morte, assim como na vida de todos, se tornou mais presente no meu dia a dia. A maioria porém ela levava do nada, aparecia e os tirava desse plano sem mais nem menos. Tem pessoas que passaram na minha vida como um furacão e se foram também dessa forma, e quando a morte chegou pra eles, a dor veio e ainda não se foi de mim. E eu fico aqui, sem entender.. Porque é tão difícil aceitar as perdas?

Sou egoísta eu sei. Mas quem quer deixar de ter por perto as pessoas que gosta? Sabemos que a morte os leva para lugares melhores, mas quem pode conter esse sentimento de vazio?

A morte deveria nos deixar nos despedir. Porém, mesmo quando ela vem devagar, como em doenças, isso se torna tão doloroso. Porque nessa quem sofre é quem está morrendo. E no fim continuamos sendo egoístas.

A morte deveria, na verdade, nos ensinar, ensinar a controlar esse desejo de controlar o final da vida. Ensinar a dizer um "até breve" um pouco mais demorado que os demais. Ensinar que mesmo não tendo o corpo presente para um abraço, o coração sempre vai estar conosco.

A morte não é o antônimo da vida e sim o final dela aqui, na terra. A morte vem na hora certa e por algum motivo que não pode ser explicado para nós agora.

Sei que tudo isso pode parecer um tanto sombrio, mas só espero um dia poder entender e aprender a aceitá-la de forma menos dolorosa. Até porque tenho a consciência de que ela ainda vai me acompanhar durante toda minha vida. E peço que quando ela chegar para mim no fim da vida, que ela tenha ensinado também aos que estão do meu lado a aceitá-la.

Lígia Raquel

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